Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Documentário sobre Cássia Eller

Uma figa apaixinante
26/07/2015 às 13:13
Cássia Eller, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle, Brasil, 2014. Começarei a crítica com uma frase da Maria Eugenia, ex-esposa da Cássia Eller que falava o seguinte no final do genial documentário: “Cássia era uma pessoa melhor, mais generosa, mais solidária, mais simples, enfim um ser humano melhor do que a maioria”. 

   Estamos nos referindo a Janis Joplin brasileira, e que será praticamente impossível alguma outra cantora tomar o seu trono. Maria Gadú, Pitty e outras dessas jamais serão e terão o talento da nossa estrondosa Cássia. 

   Assisti este documentário em janeiro e reassisti exatamente neste momento da madruga. Escrevo este texto aos prantos pela virtuosidade deste ícone do rock nacional. Só a comparo com a Elis Regina e nenhuma outra mais em se tratando de cantoras brasileiras. 

   Cássia era um vulcão em palco; Se transfomara de uma pessoa que tinha dificuldades até, ou principalmente, em tratar com a imprensa devido a sua timidez, em um animal selvagem em palco que tinha acabado de sair de uma jaula; E como uma fera se transformava em não só uma artista com um timbre de voz único, mas também em uma verdadeira performance anárquica naquelas três ou quatro horas em que se apresentava. 

   Espero isto porque sou muito otimista, que em algum momento podemos ter alguma espécie de cantora que chegue ao chulé da Cássia Eller, pois como mencionei até agora este fato nem de longe rolou, mas como a esperança é a última que morre... 

   Todavia voltando ao visceral e emocional documentário aos amantes do rock nacional, este disseca de forma eficiente praticamente todo o trajeto musical da Cássia, e não somente o musical, mas como o privado da ícone, até mesmo porque em se tratando de Cássia Eller não dava mesmo para separar a sua carreira da sua vida privada. 

   Como toda roqueira, e até me proponho a escrever: Como ser evoluído que era; A sua rotação de existência perante os sentimentos, aos egoísmos humanos, as inspirações para fazer suas canções; Enfim a forma ou maneira que Cássia enxergava o mundo era diferente em comparação às visões de nós normais verem o mundo. 

   Se uma coisa era um problema para a maioria ela encarava este de uma forma que fugia de todas nossas compreensões. Se ela poderia ser considerada uma maluca? Sim, pois afinal todo artista não é exatamente isso e ao mesmo tempo são os mais amados por todos? Portanto, dessa forma Cássia nasceu com tal brilho de maluquez, e o que ela fez foi somente viver do modo que a forma divina, ou não, fizestes a ela ou em prol dela. 

  Fato é que a mulher foi tão transgressora que até mesmo no momento da sua morte ela revolucionou. 

   Sua esposa conseguiu a guarda do filho da Cássia: O Chicão; Fato este pioneiro e inédito em solo tupiniquim um casal homossexual conseguir a guarda de um menor.

  Decisão esta no inicio dos anos 2000 que ajudou a muitos outros casais homossexuais a requererem o mesmo direito das suas crias, ou seja, apesar de morta através de sua personalidade a Cássia conseguiu mudar uma lei preconceituosa em um país atrasado como é o Brasil. 
Na real a Cássia teve um infarto fulminante do miocárdio; Mas convenhamos; Que revista ou jornal seria besta o suficiente para publicar um laudo médico verídico a correr o risco de não vender absolutamente nada? Claro que nenhuma mídia correria tal risco, pois é o desejo pela tragédia que o homem sempre se alimentou, e não mudará tão cedo, ou sinceramente: Nunca! Será difícil surgir outra Cássia Eller pelo simples fato, assim como ela era ( a simplicidade em pessoa encarnada ou escancarada) de seres evoluídos com seu tamanho carisma e virtuosismo, que era o da Cássia, não nascer todo ano, década ou século, mas ao menos ficam as suas canções e voz inimitáveis que sempre estarão conosco, o que já um baita de um bom consolo.

    Grande Cássia, belo documentário. Talvez a nossa única esperança em lembrar da Cássia venha do sua própria prole Chicão ( este que já envereda-se para a música precocemente) ,cantando nos palcos com aquele timbre de voz maravilhoso e inesquecível da sua mãe .É ver, aliás é torcer para acontecer, caso contrário somente a teremos nas nostalgias dos CDs e DVDs. O documentário encontra-se disponível nas locadoras ainda existentes ou no Net Flix.