quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Lugares Escuros e o culto satânico na juventudade

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10/07/2015 às 22:04
  Lugares Escuros, dirigido e co-roteirizado por Gilles Paquet-Brenner, França, 2015, com Charlize Theron no elenco como protagonista, porém falado em inglês apesar da produção ser gaulesa. 

   O enredo é da trama dramática-policial é basicamente a seguinte: Uma criança presencia o assassinato de toda a sua família nos anos 1980 nos Estados Unidos, época esta que estava em alta a lenda dos chamados ritos satânicos em que jovens que ouviam rock pesado, como o Death , Heavy  ou Trash metal , seriam seguidores de seitas que pregavam o estupro e assassinato de crianças para dar como uma espécie de oferenda aos seu Deus Satânico, conhecido como também o dito cujo Diabo, e em prol dessas oferendas os jovens que faziam estas ações teriam poderes sobrenaturais e seriam mais fortes e protegidos em comparação as outras pessoas ditas como normais. 

   De fato esta historia com várias seitas satânicas aconteceram no fim dos anos 1980 nos EUA, e muitas crianças foram crucificadas em nome de uma força maior: Era o chamado tempo negro da juventude estadunidense da época. Entre ficções e realidades se misturando na obra fílmica temos como protagonista esta tal garota que conseguira fugir da chacina que alguém acometera em sua família. 

  Como única testemunha ocular do fato a menina de sete anos de idade na época acaba por culpar o seu próprio irmão mais velho; Um sujeito estranho para ela na época por só ficar em seu quarto em meio a pôsteres de bandas de Heavy Metal e ter uma imagem a qual conhecemos hoje como os “Emos” por só se vestirem de preto e pintarem seus cabelos com a mesma cor, e terem um comportamento bizarro, socialmente escrevendo. 

  Fato é que seu irmão, através da única testinha viva o condenando como assassino da chacina, pegando vinte e três anos de xadrez. Na segunda tomada do filme já vemos aquela menina uma moça com crise de pânico e sozinha no mundo por não ter mais nenhum familiar, vivendo literalmente como uma zumbi por agora, depois de adulta, ter
duvidas se de fato seu irmão tinha feito aquela barbárie com sua família há vinte anos.

 Ironicamente, tanto o irmão que vivia preso assim como ela. conviviam com a mesma espécie de sentimento de angustia com o fato ocorrido, entretanto ela vivia aparentemente livre por não estar atrás das grades como seu irmão, todavia se sentia até mais presa e culpada do que quem estava atrás das grades. 

  A catarse ou reviravolta primeira do roteiro do filme se sucede quando um fanático de um grupo que tem como hobby desvendar crimes poucos claros pela policia a aborda e a coloca novamente com seus fantasmas do passado. 

   O filme tem aquele ar tipicamente norte-americano, em que as pessoas têm de se virarem para descolarem alguma grana, pois afinal estão na América e o sonho americano de prosperar tem de continuar se propagando e da maneira que
este possa acontecer. 

  Inicialmente por grana a agora adulta super desconfiada e sem amigos para nada resolve abrir seus baús da memoria de infância para ao menos pagar o aluguel da sua pequena e suja casa, já que a tentativa da moça em escrever um livro sobre o acontecido não lhe rendera muitos dividendos, já que a história não continha elementos que comprovassem quem seria o real assassino da sua família: O seu irmão, só por gostar de um estilo de musica e esta estar
aparentemente linkada a fatos de mortes por seitas até então lendárias, ou outra pessoa por motivo de dívidas financeiras ou fatos emocionais.  
A história em si contada no filme não me pareceu claro ao primeiro olhar e por incrível que pareça em segunda olhar ela fica mais ainda sem clareza no sentido de sabermos com clareza de quem fora o culpado pela chacina da família, mas nítido fica de quem não fora e pagou pelo acontecido. 

   Fato é que depois de assistir a filmes interessantíssimos em um festival de cinema que privilegia obras reais artísticas, fica difícil adentrar novamente em salas de cinema “normais” para ver filmes “normais-comerciais”, mas como a vida não é feita somente de festivais de  cinema e o trabalho tem de continuar, o que nos resta é tentar achar os filmes melhorezinhos dos circuitos comerciais e nos contentar com tais até que outro festival de cinema surja e salve um pouco mais as nossas almas e íris sedentas por obras de mais qualidade e que nos faça pensar de uma maneira mais agradável.