sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

NÃO OLHE PARA TRÁS, papel menor para Al Pacino

Veja comentário de Diogo Berni
04/07/2015 às 18:09
   
Não olhe para trás, de Dan Fogelman, EUA, 2015. O tema ou pergunta: ”Porque grandes atores se prestam a fazer papéis tão pequenos em seus finais de carreira?” ,poderia dar uma bela tese de mestrado acadêmico. 

Todavia como este “fenômeno” de fim de carreira ainda é uma incógnita deveras repetida por inúmeros atores pop stars, podemos até enumerar algumas causas para artistas gabaritados aceitarem quaisquer papéis nos seus últimos respiros cinematográficos. 

O primeiro, e de certa maneira mais lógico, seria pelo voluptuoso cachê que lhes oferecem. Todavia é importante salientar que atores já com certa idade e muito sucesso são já financeiramente estáveis pela sua vasta carreira longínqua.

 Deste modo poderíamos até admitir que tal ator ou atriz em fim de carreira queira alguns mais milhões de dólares por puro caráter de querer ficar mais rico ainda e que esta situação financeira ainda mais confortável lhe garanta bons sonos em sua terceira idade. 

Outro aspecto que poderíamos analisar para que renomados atores aceitem determinados e/ou fracos papéis podem surgir das necessidades destes próprios em ainda se encontrarem na ativa após os setenta , oitenta, noventa anos; 

O simples fato de “estar na ativa” representaria para esta classe cheia de egos uma espécie de autoafirmação de que ainda é útil ainda novos e cheios de energia para dar e vender, e por isso não caberia uma depressão da chegada terceira idade, ou seja, o tal artista ainda teria “garrafas pra vender” e por isso poderia se livrar da famosa aposentadoria compulsória por idade ou por falta de convite. Pois bem, escrito isto e não de maneira preconceituosa, pois acho que para o trabalho não existe idade, mas sim vontade posso desta maneira entrar na obra fílmica que me proponho a resenhar. Toda esta volta que fiz aconteceu somente devido ao protagonista do filme:

 O nosso eterno Big Boss Al Pacino; E já vou logo avisando: Nem o filme e tampouco a sua atuação são ruins. Em comparação aos demais atores novatos metidos a galã Pacino mais uma vez dá um show de interpretação jogando a baixa ralé este classe de novos atores.

 Existe uma coisa que não se aprende em nenhuma escola de teatro que é o talento e o carisma e o que vejo hoje são inúmeros atores jovens que pensam que tem uma dessas qualidades ou ambas; Carisma e talento: Estas vem de dentro e não pode se produzir estudando cinco anos na melhor escola de Nova Yorque, ou você já nasceu com o “borogodó” do talento ou então nem adianta correr atrás dele, pois isto é inerente e indiferente a qual escola estudou ou quer estudar. 

Al Pacino é um destes seletíssimos atores que nasceu com o tal do carisma estrondoso do qual poucos tem o privilégio em ter. Agora o que coloquei em questão no início da critica era até que ponto o ator tem “de sacar” que sua hora já passou e pedir seu boné para sair de cena. Será que alguns punhados de dólares deveriam colocar em risco uma carreira tão bem sucedida financeira e principalmente artisticamente? 

No meu particular acho que Al Pacino errou em aceitar o papel deste filme; E não que este seja ruim, tem um roteiro até interessante, mas nem de longe chega aos filmes que o eterno poderoso chefão fez. 

Porém como o Big Boss se propôs a entrar nesta cilada quem somos nós a dizê-lo ou alertá-lo: Não caia nessa, saia das telas de forma honrosa sem pensar somente na grana! A obra fílmica em questão aborda um pop star do rock dos EUA que vive dos seus sucessos de trinta anos atrás. O astro coroa tem uma baita mansão e uma bela esposa com a metade de sua idade. 

Certo dia ele recebe uma carta de quarenta anos atrás de nada menos que John Lenon, escrevendo-lhe em seu inicio de carreira e dando alguns toques para que o jovem músico da época não ficasse tão pilhado somente no ato de fazer músicas para entrar no inconsciente coletivo e desta forma ganhar muito dinheiro e fama. 
Lenon o alertava que suas melhores músicas foram criadas de uma forma despretensiosa, sem a ganância que elas virassem um hit de sucessos ( e talvez por isso viraram ). Quarenta anos após o cara recebe a carta e entende a mensagem que o líder dos Beatles quis passar, e diante disso resolve mudar radicalmente sua vida abandonando as festas, drogas, álcool e outras coisas que não lhe acrescentavam mais em nada, muito pelo contrario, só fazia o destruir a beira de quase morrer devido a um infarto em uma destas festas insanas em sua mansão com sua esposa promíscua.

 Como não existe mudança da água do vinho de uma hora para outra, o cantor sessentão resolve consertar sua vida aos poucos; Primeiro se livra da sua esposa que lhe traia e depois resolve conhecer seu único filho, este que por sinal estava preste a morrer devido a uma rara leucemia, porém nem pai e nem filho sabiam do diagnóstico. 

Com uma mudança radical em seus atos e com um coração pra lá de enorme o pai consegue reconquistar o filho, e até que fim consegue pela primeira vez em sua louca vida descobrir um sentimento de amor familiar de verdade. Embora o filme seja bacana e a história nada monótona atores como Al Pacino, que fez muito pelo cinema, não merecem acabar sua carreira com filmes mais ou menos como esse; É no mínimo um despautério contra sua própria imagem de O poderoso chefão, mas como o dinheiro fala mais alto, ele que arque com suas decisões de estar na ativa a qualquer preço.