quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Koza vence festival de Curitiba, mas é mediano

Em KOZA, O primeiro erro do diretor foi chamar um ex-atleta olímpico para si próprio representar, e como protagonista
20/06/2015 às 10:24
 Je proclame la destruction, de Arthur Touto, Brasil, 2015.Este sem dúvida foi o curta mais louco que vi. Apesar de ter somente três minutos o curta repete somente o seu título, revelando assim um tipo de mantra de poder universal e atemporal. 

  Aliás repete somente o seu título não, pois nas entreletras do seu título podemos ter a dimensão que esta frase proporciona traduzida para o português como: Eu proclamo a destruição. Percebem o quanto este título pode ser abrangente nos dias atuais com tantos desvios de verbas públicas dos nossos políticos corruptos e algumas cositas mais? Apesar de ter apenas três minutos e só repetir uma frase diversas vezes ao ponto de chegarmos à catarse da gargalhada sem na hora sabermos do porque, sem sombra de dúvidas fora o curta mais intenso que vi da Mirada Paranaense do festival internacional de cinema de Curitiba- Olhar de cinema.

   Mais um curta que me chamou atenção por sua qualidade da Mirada paranaense do Olhar de cinema da competitiva de curtas-metragens; E este tem o curioso título de: Dessas coisas que acontecem, da Sueli Araújo, Brasil, 2015. O curta de vinte minutos , por isso não tão curto, nos cede a perspectiva de entrarmos no universo dos gays, e estes podem ser bem diferentes um dos outros. 

   O enredo é o seguinte: Dois moradores se veem presos na área do seu prédio destinada a colocar as roupas para secar, uma espécie de varandão. Sem chave ou celular os dois são obrigados a conviverem durante um dia em um sol escaldante. As diferenças de personalidades logo aparecem; Enquanto um era mais desprovido e excêntrico, o outro por sua vez fazia o papel de intelectual tímido de óculos com lentes fundo de garrafa. 

   Enquanto o excêntrico falava sem parar o nerd parecia mudo diante daquela situação atípica para ambos. Como estivessem no deserto do Saara, pois o sol permitia este tipo de comparação, os dois tiveram que domar as suas diferenças para poderem sobreviver perante aquele sol e a situação claustrofóbica. Eis que em determinado ponto do curta os dois se aproximam de forma bem amigadora; Entretanto não acontece nada disso que suas cabecinhas porcas estão imaginando: Os dois resolvem ouvir um som juntos e começam a dançar para passar aquela desconjunta do cárcere privado involuntário. 

   O Curta é bacana, pois não é monótono; Os dois únicos atores sempre acomodavam nossas íris com alguma atitude, seja esta um olhar ou uma discussão. 
                                                           ****
   Koza, de Ivan Ostrochovský, com fotografia de Martin Kollár, Eslováquia, República Checa, 2015. Confesso que era um dos filmes que mais criei expectativa no festival de Curitiba, porém o filme deixa muito a desejar por insistir em um melodrama pra lá de mediano, e isto sendo generoso até. 

   O primeiro erro do diretor foi chamar um ex-atleta olímpico para si próprio representar, e como protagonista; Oras: Tinha que chamar algum ator que fizesse um bom laboratório de ex-atleta olímpico, e com certeza, o resultado seria bem mais convincente. Atuações à parte, uma coisa que não podemos negar é a belíssima fotografia em locais surreais na Servia cobertos de muita neve, montanhas brancas e piscinas térmicas naturais em meia aquela paisagem inóspita e gelada branca. 

  Como enredo temos um pugilista que tem uma esposa gravida querendo abortar, e o boxear por sua vez não. Deste modo o cara resolve voltar aos ringues para conseguir a grana para as despesas do parto, enxoval, etc.  Então se junta a um tipo de empresário-ladrão e viajam Sérvia adentro em uma caminhonete velha para conseguirem promoverem suas lutas, estas quais sempre  marcadas  por acordos para que o protagonista perdesse em determinado round, mas que por vezes não acontecia devido ao estado físico do lutador que quase sempre perdera antes do round combinado. 
O que impressiona é que mesmo essas lutas sendo medianas vemos à sede dos espectadores para ver aquela miséria alheia comendo com os olhos aquele que por ventura pudesse sofrer um nocaute. Acho que esse desejo de desgraça é próprio do ser humano, haja vista o sucesso que o boxe sempre fez e agora o tal do UFC. No mais, exceto a bela fotografia, temos essa busca incessante por lutas e ao mesmo tempo muitas cenas planas e silenciosas, o que compromete muito à obra fílmica. Outra coisa que achei desagradável fora a infantilidade do protagonista que parecia ser uma besta ambulante desprovida de cérebro recebendo ordens do seu técnico-empresário e acatando-as. 

   Até uma criança ao menos alguma vez perguntaria o porquê de qualquer ordem que estava recebendo, no entanto como um animal que somente sabia se defender em cima de um round, o lutador permanecia calado e se fazia de escravo se dando ao papel do ridículo de perguntar se podia ligar para sua esposa a todo momento. Como "cada cabeça é um mundo", o longa, através de um júri internacional, ganhou como melhor filme estrangeiro do Olhar de cinema na sua quarta edição na charmosa capital paranaense.