quinta-feira, 04 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O MELHOR DE MIM: para quem está com veia poética

O garoto era maltratado pelo pai; Sofria abusos físicos ( porrada mesmo, nada de estupro ), porque não concordava com o pai e não queria ser seu sucessor em negócios ilícitos
31/05/2015 às 10:57
O Melhor de Mim, de Michael Hoffman, EUA, 2014. Assistir a um filme é momento, ou seja, é igual a felicidade: Tem início e fim; Prazo certo para acabar. Existem aquelas obras fílmicas que te pegam quando você quer adrenalina, em outros queres uns mais cabeças, outros que problematizam tópicos ou problemas atuais da sociedade. 

  O de hoje entra no gênero do romântico, ou para os mais taxativos: “Os mela-cuecas”. Todavia todos os gêneros têm seus momentos de assistir, pois envolve o que você necessita naquela hora; Por isso não desprezo nenhum gênero fílmico, embora ache um gênero melhor que outro, porém todos tem sua função psíquica e comportamental na sociedade para com seus indivíduos. 

   Por ter acordado esta semana um pouco mais sensível, como um poeta, um filme romântico caiu como se fosse uma luva em minha mente e mãos já quentes. O filme O melhor de Mim é baseado no Best-seller homônimo do escritor Nicholas Sparks, o mesmo autor de Diário de uma paixão. 

   A obra fílmica conta a história de vida de duas pessoas. Nesta história, que poderia ser minha ou sua, temos como personagens centrais um garoto e uma garota de quinze, dezesseis anos. Ambos vivem sua primeira história de amor, entretanto a vida dos dois não seria esse mar de rosas de uma primeira paixão para sempre. Existiriam empecilhos de ambas as famílias que colocasse em xeque este tal amor verdadeiro. 

   O garoto era maltratado pelo pai; Sofria abusos físicos ( porrada mesmo, nada de estupro ), porque não concordava com o pai e não queria ser seu sucessor em negócios ilícitos. Seu pai por sua vez o taxava como fraco e covarde por não ter culhão e peito para enfrentar as leis. O fato do garoto não querer trampar com o pai não estava nem na questão do ser politicamente correto ou não, mas em ter uma real cisma, asno do pai, e o pai por ele; Parecia coisa de vidas passadas; Um não ia e nem gostava da cara do outro. Como primogênito e cansado de cicatrizes pelo corpo de tanto levar porrada , o cara, depois de mais uma sessão de espancamento resolve sair de casa e vai dormir no primeiro canto grátis que aparecesse.

    Como uma fábula o tal garoto dorme na garagem de um viúvo que lhe acolhe como filho e compra briga com a família mafiosa do seu hospede. Não me esqueci de comentar da garota ou da família dela, todavia é que no filme a família do garoto é o tema central da história com suas consequências. Mas a família da garota desencoraja o garoto e o suborna para que não veja mais sua parente. O cara, obviamente, manda o seu sogro enfiar o dinheiro naquele lugar. 

   O roteiro tem suas deficiências em um filme de duas horas e pouquinho, mas exatamente quando todos estão na formatura do High Scholl, o ensino médio norte-americano, o pai biológico do garoto se vinga do velho que deu abrigo ao seu primogênito e quase o mata de tanta porrada. Com a fúria na mente e uma arma na mão, o garoto pega sua caminhonete e tenta fazer justiça com as próprias mãos, matando aquele desgraçado de pai biológico que tinha lhe botado no mundo. Na briga entre os dois acontece um tiro que acerta o único e melhor amigo do garoto. 

  Todos da família pegam cana pelo assassinato, inclusive o garoto. Na prisão o cara tenta que a sua namorada o esquecesse e não atende as suas visitas durantes quatro anos. A garota se dá por vencida. Após vinte e um anos o viúvo que deu abrigo aquele garoto abandonado falece. Ambos recebem uma ligação informando da morte e que comparecessem aquela cidade onde cresceram, Nova Orleans, para receber uma carta do senhor.
 Depois de tanto tempo e com vidas distintas os dois percebem que foram feitos um para o outro ( aí que entra o lado místico e espiritual do filme ). A mulher já estava casada e tinha um filho e o cara tinha acabado de sobreviver de um acidente em uma plataforma de petróleo em alto mar, um milagre segundo o médico que lhe atendeu. Ambos se olham e percebem que aquela chama ainda se acendera e se dão ao coito amoroso e suas lembranças de uma vida traçada por tragédias, mas ou, porém acima de tudo pelo sentimento que um sentira pelo outro: Um amor inesquecível e inquebrável durante o tempo e as circunstâncias.

   E de fato o viúvo sabia disso, pois tinha provado deste sentimento quando sua esposa o deixou, e de certa forma sabia que o destino de um estava fadado a se entrecortar com o destino do outro, seja o tempo que isso demorasse, mas assim estava escrito e de certas coisas não tem como fugir. O filme conta mais que uma história de amor, conta uma história de perdão, de redenção, de explicar coisas ou fatos que a capacidade humana ainda não está preparada para ver, mas talvez esteja já preparada para sentir, assim espero.