segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Mil vezes boa noite, no caminho da guerra

Binoche, que sempre faz personagens fortes, e se estes não forem, ela como excelente atriz
14/03/2015 às 11:57
 Mil vezes boa noite, dirigido por Erik Poppe, Noruega , Irlanda , Suécia , 2014. Segundo o espiritismo existe uma alocação de valores  para cada pessoa se juntar com outra e assim formar traços parentescos. Isto não acontece como um jogo de loteria, por exemplo. 

   Os espíritas creem até em vidas passadas de segundas, terceiras, ou mais gerações  para uma pessoa ter parentesco com aquela outra pessoa. Incomum não é  acharmos parentes próximos que não se embicam, e a tese espírita explica  que para estes casos, que são mais comuns que imaginamos, existe um  tipo de divida do passado, um tipo de pedágio que temos de pagar neste plano a fim de resolver pendengas antiguíssimas. Este crítico também pensa desta forma; Tudo tem um porque e tal porque sugere algumas consequências. 

   Os mais crentes nas teses de Alan Kardec acreditam piamente que nossos parentes mais próximos são os nossos principais obstáculos na vida, pois se fomos unidos neste plano com tal próximo grau de parentesco é porque algo de muito sério ficou pendente em uma vida passada. 

   Não a toa que inúmeras pessoas têm problemas familiares; Em toda família sempre existe aquela ou aquele “carrega piano”, que como  cristo fez carregando a cruz, este por sua vez carrega sua família nas costas, e muitas vezes não consegue se desvencilhar desta “missão” pelo fato de sempre ter a essas situações componentes emocionais que o faz frear e aceitar aquela situação cármica. 

    Entretanto existe o livre arbítrio, caminho este que é difícil primeiramente de enxergar, e uma vez visto é mais difícil ainda o seu trajeto de ter a coragem de mudar o  que seria o ciclo natural das coisas, pois ambos os lados: o de “carregador de piano” e de “sugadores de piano” se encontram afundadamente envolvidos nesse processo cármico de pagação de promessas, que com certeza é para os dois lados. 

    Pois bem, surgiu-me este insight após ver este filme por a sua síntese ou pergunta principal se consistir  em: O que é mais importante: A família ou a sua profissão? Ou até  poderíamos formular melhor a pergunta como: O que vale mais: Você ou os outros? Todavia fazendo uma resenha da obra fílmica temos como protagonista a sempre excelente e bela Juliette Binoche, que desta vez interpreta uma fotografa de guerra, a para cumprir seu trabalho tem que se ausentar das duas filhas e o marido. 

   Uma cena que me chamou mais atenção foi quando a filha mais velha pergunta à mãe o porquê ela tinha escolhido tamanha profissão que envolvia risco de vida. 

   A mãe responde que quando criança já existia raiva dentro dela e por isso gostava da sensação do perigo e fora a sua exagerada moralidade ética. Daí vos pergunto: O que seria do mundo senão existisse essas pessoas que saem do  contexto comum para de fato fazer algo que adicione alguma coisa nova para esse mundo? Particularmente acredito que são esses tipos de pessoas que fazem o mundo metaforicamente rodar, assim como um óleo faz uma 
máquina funcionar, pois se formos esperar por ações de pessoas que não colocam sua cara a tapa, o mundo seria a mesma merda sem novidade ou descoberta alguma. 
Pois bem, voltando à crítica, mas já de certa maneira  explicitada pelas linhas anteriores, a nossa protagonista se vê neste dilema: Ajudar o mundo a ver as barbáries que estão, e ainda hoje, acontecendo em países do continente africano (vários!), ou se estabilizar com sua família só porque o merdinha do seu marido quer uma dona de casa para servi-lo? Além também das suas filhas que sentem falta da mãe e por influência do pai não conseguem enxergar o quanto precioso é o trabalho da mãe. 

   Binoche, que sempre faz personagens fortes, e se estes não forem, ela como excelente atriz que é dá um jeito para que se tornem, consegue retratar uma jornalista de guerra partida ao meio por ver tanta gente morta injustamente porquausa de acordos de multinacionais com governos africanos corruptos, e a única coisa que 
resta-lhe fazer e pegar sua máquina e fotografar esta guerra civil ( repetindo: vigente até os dias de hoje, basta uma simples pesquisa no Google) que só não mata mais pessoas se comparando estatisticamente com a
 segunda guerra mundial, ou seja, um genocídio assombroso por grana e poder que acontece hoje diariamente na África que muitos não sabem por estarem preocupados se a Paris Hilton foi para a balada com ou sem 
calcinha ou coisas parecidas do gênero.