quinta-feira, 04 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Foxcatcher mostra que dinheiro não compra tudo

Vale a pena conferir essa película
31/01/2015 às 22:33
   FOXCATCHER, de Bennett Miller, EUA, 2015. Aos acréscimos do segundo tempo foi excluído do pareô para concorrer ao Oscar deste ano, e de certa maneira, podemos escrever que ainda bem que academia teve este momento de lucidez, pois tal obra fílmica não é mesmo nada de mais. 

   Não que as outras obras indicadas sejam alguma no quesito filmes com F maiúsculo da palavra, mas ao menos nos livramos ao menos deste. Escrevendo desta forma poderá se ter uma impressão que o filme é péssimo, o que não é de toda verdade. 

   Acho que o grande problema do Oscar, e isso já perdura há algumas décadas até, é que sempre existe um ar político na escolha dos filmes, de modo que tais indicações nem sempre ou sempre mesmo não escolha os melhores filmes de fato, e sejam estes estrangeiros, curtas, longas e os próprios de língua inglesa. 

   Escrito isto e relembrando que não achei o filme ruim, apenas só gostei da academia em não selecioná-lo à premiação industrial estadunidense em fevereiro, farei um breve resumo da obra. 

   Em primeiríssimo lugar gostaria de citar a coisa que mais me chamou atenção neste filme de categoria mediana; Que foi a propagação da não ideia de que o dinheiro compra tudo. Não! Ele definitivamente não compra: ética, caráter, amor ( paixão e tesão pode até comprar, mas amor não..), e seja este amor pela família ou por uma pessoa. 

   Todavia vamos aos fatos do filme, a sua sinopse é a seguinte: Um milionário um tanto excêntrico e apaixonado por luta olímpica ( o famoso restreling do MMA ), encuca em contratar para sua recém criada equipe Foxcatcher, daí o titulo do filme, os dois principais lutadores do seu país e medalhistas olímpicos de ouro da modalidade, irmãos por sinal ou DNA.

    O caçula, mais aventureiro e sem esposa e filhos, não resiste a baita oferta que o excêntrico milionário oferece para fazer parte do seu time e aceita se mudar para a casa de treinamento da recém mega estruturada equipe Foxcatcher, porém o seu irmão mais velho nega a oferta de mudança de academia por ter filhos e esposa para cuidar e estes cuidar dele também. 

   O técnico e dono da Foxcatcher não gosta de receber um não como resposta e fala ao campeão olímpico a grana que ele quer pedir para se transferir para sua equipe que ele daria, ou seja, estava querendo comprar o lutador assim como fez com seu irmão caçula. 
O irmão mais velho peita o milionário não só negando sua oferta, mas também dizendo que ele não era objeto e por isso não tinha preço que existisse para ele abandonar sua família e ainda por cima, com raiva da oferta desrespeitosa, tenta trazer de volta a sua academia o seu irmão mais novo que a esta altura já tinha criado vínculos emocionais com seu novo “coach” e por isso se encontrava um caco quebrado de vidro perdendo todas as lutas, e principalmente sua sanidade mental por estar nas mãos de um lunático milionário que encasqueta na cabeça em criar um time de lutadores a modo em tentar esquecer seus traumas de infância de um garoto em que seu pai estava cagando e andando pra ele por achar que tinha um filho perdedor que não conseguiria continuar com seus negócios quando morresse. 

   O filme mostra todos estes dilemas de moralidade: Se as pessoas tem de fato um preço mesmo ou se ainda podemos acreditar que algumas pouquíssimas pessoas ligam o dane-se para uma “oferta irrecusável”. 

   Pelos apelos que o filme aborda e por se tratar de uma história real, me surpreendi em não vê-lo competindo na lista como os escolhidos pelo Oscar, mas ainda bem que isso não aconteceu, ele não merecia tamanho holofote. Agora justiça seja feita: O protagonista que interpreta o milionário cheio de traumas merece ganhar a estatueta de melhor ator por sua atuação incrível.