sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Para sempre Alice debate o Alzheimer de frente

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24/01/2015 às 11:46
Para Sempre Alice, com direção de Richard Glatzer e Wash Westmoreland, EUA, 2015, e com estréia prevista em solo tupiniquim somente no dia 26 de fevereiro, ou seja, um dia antes da premiação do Oscar.

    Aos que tem estômagos mais suscetíveis em não conseguir agüentar situações atípicas desfavoráveis às condições humanas; Já os aviso de antemão que o filme a ser discutido de hoje não é nenhuma comédia boba ou blockbooster besta que já estamos carecas de tanto ver seus trailers e conseqüentemente fugir deles, assim como o satanás foge da cruz. 

   Pois bem, escrito tais preliminares o filme em questão tem de fato até um título que sugere ser mais uma obra estadunidense fraca, ruim e com aqueles ideais daquele povo que não tem a capacidade de enxergar mais do que seu próprio umbigo.

    Em sua grande maioria se alguém perguntar a algum norte-americano qual é a nossa capital federal, quase todos certamente responderiam que é Buenos Aires. Piadas a parte sobre a ignorância do povo do Tio Sam, voltemos ao filme, que ainda sendo norte-americano e também um forte concorrente ao Oscar deste ano.

   Trata-se de uma obra fílmica com algumas qualidades e as enumerarei na crítica. A primeira qualidade do filme é o seu tema, e também seu maior trunfo: Trazer a tona à degradação neuronal através da sua protagonista. 

   Julianne Moore fez tão bem o papel de uma professora de linguística que aos cinqüentas anos descobre que está com alzheimer  em um cooper rotineiro no Central Parque em Nova York, que não tem como não perceber sua interpretação. 

   O nome da tal professora é Alice, como o nome do título do filme. Ela  tem três filhos com chances de terem a doença degenerativa também assim como ela, uma vez que a mãe da protagonista teve alzheimer , então logicamente deduze por isso que trata-se de uma doença de cunho genético e sem cura, ou seja, como diz o ditado: Se correr o bicho e se ficar o bicho come. 

    Dos três filhos, dois queriam saber através de exames se carregavam tal fardo genético, porém a filha mais artista e que não sabia o queria da vida decide não fazer tal teste para saber se carregava a doença degenerativa da mãe. 

   Com o passar do tempo a protagonista começa a esquecer cada vez mais dos acontecimentos e coisas como, tipo os nomes dos filhos, etc. 

   A barra da doença começa a ficar punk e o maridão dela não agüenta e pede pra sair, se transferindo de cidade para uma vulga oferta de trabalho irrecusável, entretanto tanto o maridão “lúcido” e a sua esposa com alzheimer , sabiam de fato o porquê da sua saída repentina e até de certa maneira plausível ou ao menos compreensível, pois ver o definhamento psíquico de sua esposa realmente não era tarefa para qualquer um, somente talvez para os mais desapegados materialmente. 
 Tarefa esta que no fim das contas fica para sua filha artista, que não vê problema algum cuidar da mãe com auxilio de cuidadoras. Só a medida de informação mesmo: Julianne Moore, a Alice do filme, faturou semana passada o globo de ouro de melhor atriz pela atuação desta mulher que consegue encarar o alzheimer de uma forma muito digna;

    De frente, sem esconder nada de ninguém, e ainda tentando ajudar outros portadores e cientistas a fim de descobrirem a cura num futuro em que ela não estaria mais entre nós.

    A aposta deste crítico? Julianne Moore levará também o Oscar de melhor atriz principal pelo trabalho neste filme. Agora em relação ao filme, este tem um tema que poderia ser mais bem escrito e dirigido, mas no “frigir dos ovos” a sua bela protagonista salva a obra fílmica, e por isso, o filme é uma boa pedida para se assistir antes da premiação do Oscar.