ter?a-feira, 17 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Acima das Nuvens e o drama da velhice

Comentário mostra como é encarada a velhice por algumas pessoas
03/01/2015 às 10:56
   Acima das nuvens, de Olivier Assayas, França, Suiça, Alemanha, 2015. O filme fez parte da mostra competitiva do festival de Cannes em 2014. 

   Falado em inglês temos como protagonistas a experiente atriz francesa Juliette Binoche e a atriz semi-novata e principalmente ex –atriz da saga Crepúsculo; Kristen Stewart, a eterna vampirinha ( Pois é, tem papeis que podem te rotular para o resto da carreira , e parece que é o caso desta moçoila estadunidense ), entretanto vamos ao filme Acima das nuvens. 

   Binoche faz o papel de uma atriz já consagrada ( Maria Enders , que tem como último trabalho antes da merecida aposentadoria, ou não, um remix de uma peça que a atriz tinha feito com seus vinte e poucos anos fazendo o papel da filha de um casal conturbado, mas só que agora ela teria que enfrentar a deteorização do tempo e fazer o papel da mãe da menina que ela interpretou vinte anos atrás. 

   E para o papel da menina é chamada uma estrela de filmes de ficção cientifica um tanto quanto desequilibrada emocionalmente que volta e meia se metia em confusão, escândalos, enfim tudo que a mídia sensacionalista quer: Celebridades instáveis ou não amadurecidas por não conseguir segurar a onda do sucesso de um dia para o outro. 

   O filme basicamente se passa no dilema da personagem principal, a musa Juliette Binoche, querendo enfrentar seus fantasmas de que estava ficando velha e não querendo crer nisto, afinal para quem já fora um “sex simbol” agora estaria se deteriorando, como assim? 

   Fato é que para segurar a onda da atriz entra em cena a sua assistente ( a eterna vampirinha da saga Crepúsculo ) , que é também sua psicóloga e ainda ensaiava os diálogos das peças com a atriz; enfim era seu braço direito literalmente, ao ponto de percebemos na personagem de Binoche uma mulher insegura e frágil, que quando não estava com sua assistente tinham ataque de pânico até, tamanha era sua dependência da sua amiga mais que oculta. 

   Gosto da atriz Juliette Binoche, do seu jeito de atuar e por aceitar tantos personagens diferentes que já fez me faz ter uma simpatia extra pela atriz e a considera-la como uma das melhores atualmente em cena, porém neste filme, e isto não por culpa dela, mas sim por quem a dirigiu, vi uma atriz demasiadamente feliz, ao ponto de desconfiarmos se esta não estava em um ciclo inicial de demência. 

   A tudo que sua assistente fazia ela achava graça até de frases tipo como: “Você pode passar seu isqueiro? “Obvio que os haxixes fumados por elas certificavam todas essas risadas, mas mesmo quando estava sem o fumo a Binoche continuava a fazer o papel da mulher de meia idade que insistia em ser criança, de não crescer, e isso como fã dela que sou, admito que me soou meio que forçado demais tanta alegria sem nenhum motivo aparente real. 
Fato é que o nome do filme é Acima das nuvens, então também não podemos esperar do quesito seriedade muito no filme, todavia um filme que participa de uma competitiva de Cannes tem que se primar ao menos por um roteiro encaixado, sem furos ou buracos, coisa que não acontece na obra. 

   Sem dúvidas foi a pior atuação que vi da minha musa Binoche, mas ainda assim e com seus quarenta e tantos anos, ela ainda dá um baile a qualquer moçoila que tenha quadris e pernas bonitas, pois beleza e sensualidade têm muito mais a ver com personalidade do que com idade ou outros atributos físicos. Ademais o filme tem o trunfo em tentar argumentar em como as pessoas e celebridades lhe dão com o tema da velhice.

    Em como o tema da velhice é ainda um tabu para muitos e um pavor para outros inúmeros. Resumo da obra: Um filme que pode ser assistido sem medo de que esteja vendo alguma porcaria, porém também não espere mais que uma obra fílmica mediana, apesar do carimbo de qualidade de Cannes.