sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Casa Grande mostra cenário da vida brasileira

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08/11/2014 às 09:46
   
Casa Grande, de Felipe Barbosa, Brasil, 2014. Este filme em especial  chamou uma  boa impressão no X Panorama Internacional Coisa de Cinema, realizado no Cine Glauber Rocha em Salvador e Cachoeira nesse ano. 

Não que os outros vários longas e curtas que assisti de qualidade também não tenham chamado minha atenção, mas este que escreverei teve algo de especial por se tratar de uma produção nacional, e talvez por isso  ecoou mais que os outros. 

O filme mostra a derrocada financeira  de uma família nobre do Rio de Janeiro, estória esta da própria família do diretor do filme; este que na época, em 2002,  se encontrava estudando cinema em Nova Iorque, e por isso só foi saber de tudo anos mais tarde e a partir disso resolveu fazer o filme, como o próprio menciona no final da sessão. 

O filme tem o mérito em ser divertido e não apelar para clichês típicos a fim de mostrar as diferenças entre as classes sociais. A obra fílmica baseia-se em um plano único, que era a mansão que a família morava, porém o filme se articulava e mostrava a cidade do Rio de Janeiro, desde os bairros mais modestos aos mais nobres. 

O protagonista é um adolescente de dezessete anos que começa a perceber que a falência tinha batido na porta do seu pai em pleno ano que iria prestar vestibular. O filme é bom porque consegue debater alguns aspectos sociais importantes vigentes no Brasil, tais como: Cotas para negros e pessoas de baixa renda nas universidades federais , estaduais e particulares, os impostos excessivos para empresários, planos assistencialistas, entre outras tantas coisas. 

O garoto começa a perceber que estava ficando pobre quando seu pai teve que dispensar o motorista da família, porém como o orgulho era mais alto, o pai prefere mentir para o filho dizendo que o motorista de dezoito anos da família iria para sua terra natal visitar o filho. 

A mentira só faz com que o garoto fique mais desconfiado do destino da sua família e vê as cobranças aumentarem para que passasse em uma boa faculdade, embora o garoto não tivesse isso como principal objetivo em sua vida. 

A grana encurta e nosso protagonista tem de se adaptar aos novos tempos de vacas magras. Ele começa então ir a respeitada Escola São Bento, embora tivesse com três meses de mensalidade atrasada, de ônibus. 
Dentro do coletivo consegue conquistar sua primeira namorada: uma menina que estudava em colégio público e talvez por isso, ele a achasse que morava na Rocinha, uma grande favela carioca. O garoto , com ajuda de fieis amigos,  não fica muito mal quanto a falência da sua família, diferentemente do seu pai, interpretado pelo calejado ator Marcelo Novaes, que não consegue esconder a amargura de ter falido e dever a Deus e o mundo. 

Uma cena corajosa do ator meio que explicita a decaída da família, quando este literalmente cai da uma árvore que podava junto à piscina de sua mansão, esta que teve de ser vendida devido as dividas. Enfim, trata-se de um filme divertido que te faz pensar em que Brasil estamos vivendo nos dias atuais. O destaque especial do filme vai para o seu protagonista, que em breve, certamente estará fazendo alguma novela da Globo, visto que a emissora patrocina o excelente filme.