segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Ferrugem e Osso, um filme que destaca a essencia do amor

Veja nosso comentário
25/10/2014 às 15:02

  Ferrugem e Osso, de Jacques Audiard e com atuações estupendas de Marion Cotillard, Matthias Schoenaerts , França, Bélgica, 2013; É de fato um nome bem sugestivo ao filme; Escreveria até que o título da obra fílmica seria uma metáfora dos dois personagens centrais da trama. Este filme foi premiadíssimo mundo afora em países como Canadá e obvio, na própria França, entre outros e tais prêmios não foram por acaso ou por questões comerciais; 


  O filme mereceu todos os prêmios que ganhou mundo afora por seu uma obra que mexe na mais complexa (des) forma humana, ou seja, na incapacidade de um ser humano não conseguir ser dono do próprio nariz e vida; Todavia vamos por partes para que o filme se torne entendível. Em primeiro lugar, até antes de entrar na sinopse do filme, é imprescindível salientar o lado humano do filme, lado este mostrado pelos seus personagens centrais: Uma treinadora de Orcas de um parque aquático, e um ex-presidiário que trabalhava como Leão de Chácara em uma boate. 

   O encontro desses dois se deve ao fato do qual quando a treinadora de baleias assassinas toma um “Jab” do seu namorado, e o leão de chácara por sua vez e função a socorre , levando-a até sua casa deixando seu cartão para que se ela precisasse dele algum dia que fosse, poderia ligar. A virada do filme acontece quando a segura treinadora de orcas sofre um acidente com o animal; este que come as duas pernas da experiente treinadora de um prestigiado parque aquático da França. 

  Após o trágico e inesperado acidente a nossa ainda bela treinadora, apesar de agora estar sem suas roliças e bonitas pernas, se vê solitária, traumatizada, deprimida e confusa, e então por carência resolve ligar para o seu herói daquela noite da boate de duas semanas atrás. Como já diz o ditado: De perto ninguém é normal; E ao conhecer mais de perto o leão de chácara da boate, a mulher perdida sentimentalmente acaba descobrindo algumas características um tanto excêntricas dele, tais como: O individuo era um cara intenso e por isso gostava de lutar para ganhar dinheiro, porém antes de tudo por prazer. 

   Quando a treinadora de orcas pergunta-lhe o porquê ele arriscava sua vida por poucos Euros e arriscando sua saúde e vida, ele com um sorriso de garoto responde: “ Não vou a esses eventos clandestinos de lutas só pelo dinheiro, a primeira coisa que me vem a cabeça é a diversão, o brincar de bater e apanhar com a adrenalina e principalmente prazer que estas brigas me dão, igualzinho inclusive a você que arriscava sua vida todos os dias treinando orcas assassinas, ou estou mentindo que somos movidos pelo perigo e sedução que só o medo é capaz de transmitir?”. 
Como o ex-presidiário estava certo, a ex-treinadora acaba por se envolver emocionalmente com aquele troglodita, afinal os opostos não se atraem? Ao menos é o que falam. Curiosidade a parte o filme nos remete e nos faz pensar em algumas coisas importantes, como por exemplo: A sensibilidade que este lutador clandestino teve ao conseguir se apaixonar por uma deficiente física, ou até mesmo como a construção dessa paixão fora arquitetada. 

   O filme é um belo tapa na cara sobre situações atípicas que na maioria das vezes as pessoas fazem biquinho de desaprovamento, como é o relacionamento de um casal entre uma pessoa dita como normal, apesar de ser uma besta troglodita que só sabia transar e lutar, com uma moça sensível e deficiente física; 

   Enfim um belo filme que faz com que saiámos da sessão menos preconceituosos e também de certa maneira mais leves a abertos para as diferenças entre as pessoas, sendo que o principal , e isso sem querer ser “piegas!", é de fato o sentimento que uma pessoa sente por outra, e isso independe se esta pessoa for negra, branca, amarela, pobre, rica, analfabeta, culta, etc; Pois para o amor verdadeiro no final de tudo nada disso importa e ainda bem que é assim. Belissimo filme.