sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A coleção invisível eu não recomendo a ninguém

Leia nosso comentário
04/10/2014 às 11:00
 Era uma vez em Nova York (The Immigrant) dirigido e co-roteirizado por James Gray, EUA, 2013. Em 1920, as irmãs polonesas Magda e Ewa partem em direção a Nova York, em busca de uma vida melhor. Assim que chegam, Magda fica doente, e sem ter a quem recorrer, Ewa (Marion Cotillard) acaba nas mãos do cafetão Bruno (Joaquin Phoenix), que a explora em uma rede de prostituição.

  A chegada de Orlando (Jeremy Renner), um primo de Bruno, mexe com Ewa e traz um novo caminho para sua vida. É importante ressaltar a natureza da nossa protagonista Ewa. Antes de chegar à Nova York a fim de para realizar o “sonho americano”, ela exercia o cargo de enfermeira em seu país natal, ou seja, na fria Polônia. 

  E tal traço de personalidade, ou seja, de querer ajudar o outro e esquecer até de si própria como toda enfermeira se comporta , acaba a levando a prostituição, por desemperro de ser a única saída de ficar em solo norte-americano para encontrar sua irmã em algum hospital daquele país por ela ter sido barrada por estar doente de tuberculose, a doença mortífera daquele tempo. 

  Ou seja, Ewa quis ficar nos Estados Unidos para tentar salvar a irmã da morte pela tuberculose, e não propriamente por vontade própria. Todavia o tempo fora se passando e seu cafetão sempre dava um jeito de enganar nossa “enfermeira-prostituta”, trancafiando-a em um bordel barato com um quarto sujo e lucrar com seus serviços íntimos da “Polaca vermelhinha”, sempre a enganando afirmando que estava tentando achar a sua irmã nos hospitais da cidade e de fato ele não mexia uma palha em relação a isso.

 Eis que surge Orlando, um primo do cafetão Bruno, e Ewa se entrega a essa paixão de corpo e alma já dezesperançosa em relação a sua irmã tuberculosa Magda. Entretanto o foco principal do filme não está em paixão, amor entre irmãs, prostituição ou qualquer outra coisa; O tema ou foco principal do filme está no “sonho americano”, que desde 1920 até os dias atuais pode ser uma boa ou uma cilada; Quem quiser pagar pra ver, arregrasse suas mangas e não crie muita expectativa: apenas trabalhe sem pensar como um jumento. Cá entre nós: É melhor estudar, seja aqui ou lá.
                                                                             ****
   Não é porque o filme foi feito em meu estado que irei aliviar se este não for bom, pois bem, A Coleção Invisível, dirigido, produzido e co-roterizado por Bernard Attal, Brasil-Bahia, 2013; É uma obra com bastantes defeitos graves no tocante ao seu roteiro. 

   Se fossemos comparar as áreas da anatomia humana com as áreas de uma obra fílmica, o roteiro seria seu cérebro, então há de convir que todos os órgãos meio que dependem do cérebro ou dos impulsos voluntários e involuntários desse para funcionarem. 

   No cinema não é diferente: se o roteiro comete deslizes “infantis” todo o filme “paga o pato”, e isso por mais que a direção de arte ou produção tente salvar o filme, essas tentativas irão ser em vão, pois é através do roteiro de um filme que as outras áreas começam a funcionar, ou para ser mais especifico, é pelo somente roteiro que podemos afirmar: "Yes, agora temos um filme !"; Sem ele, nada de filme ou nada de um filme razoavelmente bom.

   Pois bem, fiz questão de fazer esse “ mise en scene” para matar essa produção baiana logo de início e dou-lhe uma sugestão: Não aluguem-no , tampouco compre-o pirata; Trata-se de uma cilada, e das bravas. 

  Só para não levantarem a suspeita de que, como crítico de cinema e da terra, estou tentando boicotar o cinema baiano, explicarei as inúmeras gafes do filme, gafes essas no sentido da estrutura fílmica do seu roteirista basicamente, mas não de outras áreas e principalmente não porquausa dos atores, que por sinal o protagonista meio carioca e meio baiano Vladimir Brichta interpreta de modo bem convincente um vendedor e comprador no ramo de obras de arte. 

  Todavia no tocante a essa produção, acho que nem mesmo o Morgan Freamen salvaria tal filme. Mas vamos lá enumerar os erros do caótico roteiro: Primeiro para inicio de conversa o filme já começa bem fraquinho, contando a historia de um acidente de carro fatal de alguns dos amigos do protagonista Beto após saírem de uma balada embriagados.

    A tal culpa do protagonista fica com o próprio durante o filme todinho! Um erro grotesco de roteiro, pois o Beto nem sequer estava no carro, apesar do automóvel ser dele; Mas seus amigos pegaram seu automóvel sem ele saber a acabam sofrendo o acidente trágico. Agora pergunto como critico de cinema: Que culpa ele teve pelas mortes dos seus amigos de balada? 

   Ao meu ver: nenhuma, todavia esse trauma é erradamente carregado por ele durante as quase duas horas de filme. Bom logo de inicio já percebi que através deste primeiro erro poderia vir muito mais outros; E Bingo, não deu outra! Grotescos erros de fashs-backs do protagonista percorreram durante todo o filme, sendo que um dos mais que comprometeram a obra como um todo foi o de não linkar o passado do protagonista Beto com o seu presente, ou em outras letras, não ter tido a capacidade o diretor ou o roteirista da obra em perceber um fato claro que até um cego conseguiria sentir, que era que todo filme tem de ter um final ao mínimo claro ou que deixe as pessoas com “a pulga atrás da orelha”, ou seja, que o obra fílmica ( que tem suas regras, efeitos e consequências ) desperte algum tipo de sentimento a quem assiste, Seja este: raiva, amor, ódio, ira, choros, reflexão, etc.; 
  Porém este abordado não consegue nem se quer despertar apenas um desses sentimentos citados ou até outros que por acaso não coloquei. Fato é que trata-se de um filme que logo de inicio apresenta erros elementares, para não escrever amadores em seu roteiro e por isso o filme não consegue “respirar”, comprometendo a obra até ao seu horrível também desfecho, mesmo com os principais atores tentando o salvar, mas sem êxito nenhum devido ao esburacado e medonho, e isso pegando leve nos termos, roteiro capenga.

   Para não dizerem que estou ranzinza, uma única coisa boa vi nesta obra, que foi o último trabalho em vida do excelente ator gaúcho Walmor Chagas, que após as gravações cometeu suicídio em seu sitio no interior de São Paulo. Falar que ele se suicidou porquausa desse filme seria um pouco demais de humor negro, porém existe uma fala do seu personagem que diz que estava chegando sua hora de morrer; Coincidência ou não fato é que o ator nos deixou em seguida, e da pior forma: dando cabo da sua própria vida, mas esse já é um assunto para outra hora e história, Fato é que o filme é ruim e ponto final: se quiserem ver problema seu, mas depois não diga que não lhe avisei.