Colunistas / Cinema
Diogo Berni

he Grand Budapest Hotel, um filme envolvente

Diário Proibido, de Christian Molina, Espanha, 2008. Se comparássemos tal filme com os: Ninfomaníaca: Volumes I e II do genial norueguês Lars Von Trier, seriam como comparar um filme feito por um amador
09/08/2014 às 07:36
 The Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson, Reino Unido, Alemanha, 2014. Trata-se de uma fábula magnânima onde poucos cineastas têm a capacidade de executá-la. Em toda a duração do filme temos a percepção que estamos presenciando um mundo que seria muito bem-vindo se este existisse, mas infelizmente só que não, este tal universo fabular nunca existiu de fato. 

  O que vemos é uma metáfora de um país que existiu e sobreviveu através dos seus encantos e fantasias durante a segunda guerra mundial. Trata-se, portanto além de um filme com uma essência fabular, este era de época também, onde temos como protagonista um Concierge, uma espécie de gerente geral do Grande Hotel Budapeste. 

   Antes de pensamentos precipitados informamos que Budapeste não tem nada há ver com a capital da Hungria. O Grande Hotel Budapeste se localizara em um país de nome fictício no meio da Europa e, portanto no meio da Guerra daquele tempo ( por volta entre 1930 e 1940). 

   Como linha de narração o filme opta por brincar através do tempo, pois começa com o tal Concierge já em idade avançada contando há um hospede interpretado pelo britânico Jude Law, sua história e como conseguiu ser o dono daquele lendário hotel que por sinal, no presente se encontrava em ruínas. 

   A opção da narrativa não linear deixa o filme mais envolvente por permitir envolver diversos atores na história, e isso sem a preocupação exagerada destes estarem alinhados perfeitamente com a linha de tempo, mas vamos à resenha do filme. 

   O Concierge conta seu passado há um peregrino desconhecido que se encontrava hospedado em seu hotel. Sua história começa quando este Concierge tinha apenas treze anos de idade fugindo de um país bombardeado pela guerra, só sobrevivendo ele da sua numerosa família. Acontecimento este, de perder toda sua família, que deixaria asmaiorias das pessoas tristes e principalmente traumatizadas, todavia isso não acontece com o tal Concierge apelidado por zero e bem interpretado pelo mirim ator Tony Bevolori, muito pelo contrário: a simpatia deste garoto que sempre tinha um sorriso em seu olhar (apesar de seu passado) era sem dúvidas uma característica de homem vencedor. 

  Alias quem coloca o seu apelido de Zero é o seu mestre de nome Gustave, e interpretado esplendorosamente por Ralph Fiennes. O Sr. Gustave no auge do esplendor e glamour do Grande Hotel Budapeste era o gerente do local ou como preferirem chamar: O Concierge do hotel cinco estrelas. 

   Homem de tão refinado, educado e porque não dizer evoluído para seu tempo foi à principal influência do seu assistente Zero. De tão culto o Sr. Gustave era tido como um pederasta para a maioria que não o conhecia, mas não para seu assistente atento e obediente; Zero. 

   O Sr. Gustave não se importava com sua reputação, o mais importante era deixar o hotel em seu alto padrão e preparar um substituto ao seu cargo, que no caso era o nosso infante Zero. As coisas começam a mudar quando uma das donas do hotel morre e deixa como herança um quadro de alto valor a seu pessoal amigo: o Sr. Gustave. 

   A família logicamente não aceita que quadro de tal valor seja dado há um Concierge pobretão como Sr. Gustave era, apesar de culto. A história a partir desse quadro começa a sair das dependências do Grande Hotel Budapeste e ir a outros lugares, tais como a prisão em que o concierege Gustave ficou por ter supostamente roubado o valioso quadro familiar, até a sua cômica fuga fazendo inclusive amizades com os mais terríveis assassinos da prisão através do ser humano que o era, ou seja, através da habalidade do tato com as pessoas que tinha.

   Após a saída da prisão vem a fuga da policia e da família que queria o quadro que seu assistente Zero esconde. Além de ajudá-lo a fazer um plano para sair da prisão de segurança máxima, Zero embarca na fuga com o Sr.Gustave; Observem bem meus caros leitores: todos os acontecimentos desse belo filme são ainda laureados com estupendas imagens e interpretações em um elenco que ainda contava com nomes como: Bill Murray, Mathieu Amalric, o excelente sempre Williem Dafoe, entre outros, ou seja, um baita elenco alinhado a um ótimo enredo só poderia ter como resultado um ótimo filme. Belíssima pedida para o final de semana. 
                                                                     *****
   Planeta dos Macacos: O confronto, de Matt Reeves, EUA, 2014. O filme é uma continuação dos acontecimentos do primeiro da saga dos macacos inteligentes de laboratório. Nesta bem feita continuação temos o planeta Terra arruinado e apenas com um quinto da sua população ainda viva devido às conseqüências radioativas originárias por acontecimentos no primeiro filme da franquia.

   O que vemos agora é que são os macacos que dão as cartas, e os homens por sua vez agora se encontravam aprisionados em uma espécie de jaula luxuosa para sobreviver dos poderes radioativos do agora nefasto e demolido planeta Terra. 

   Os macacos eram imunes aos vulgos poderes mortais da radioatividade porque no primeiro filme da franquia eram eles os cobaias para tais experimentos de radiatividade, até seu líder de cujo nome sugestivo César decide rebelar-se e colocar todos os humanos para correrem e dominar o mundo juntamente com seu exercito de irmãos que só se multiplicariam livres após o episódio do vazamento de raios radioativos e estes destruírem quase toda a humanidade e o planeta.

   Na caótica Terra era seu líder “macacau” César e seus milhares de irmãos que davam as ordens. O planeta andava tão certinho sem a mão e a ambição humana que César consegue até treinar seu filho mais velho para tomar seu trono caso algum outro macaco revoltado ou os próprios homens tentarem tirar o poder das mãos dos macacos.

   Homens e macacos viviam harmoniosamente até que a prisão de luxo dos homens começasse e perder energia elétrica, fato este que acabaria com as baladas eletrônicas e alguma ainda comunicação com o mundo externo para saber se ainda existia alguém vivo no planeta ou até fora dele. O problema é que para os poucos homens e mulheres ainda existentes continuasse a ter energia, seria necessário que eles atravessassem o outro lado da cidade onde existia uma hidrelétrica, porém para chegar até lá teriam que bater de frente com a gangue dos Macacos.

    Meticulosamente através desta necessidade de energia homens e macacos começam a se comunicar entre si; Situação essa que deixa alguns macacos desapontados com seu líder César, mas como líder é quem manda o contato fora mantido com a raça humana. Com uma estupenda definição facial dos macacos estes conseguiam saber até onde os homens queriam chegar. Fato é que em determinado momento da trama o César acaba se influenciando pelos homens e ficando novamente muito bonzinho com eles. Isso é fator determinante para estourar uma guerra entre homens e macacos, porém agora com um outro líder de macacos que consegue abater o poderoso César em uma briga excepcional. 

   A guerra estava no ar com os macacos agora invadindo a prisão de luxo dos homens e estes por sua vez respondendo a bala. Quem supostamente estava morto reaparece e
coloca ordem “no galinheiro” matando seu arco inimigo macaco que tirou a sua coroa e quase sua vida. César restabelece a ordem no acabado planeta Terra e com certeza teremos em breve mais um filme da franquia. 
                                                                            *****
   Diário Proibido, de Christian Molina, Espanha, 2008. Se comparássemos tal filme com os: Ninfomaníaca: Volumes I e II do genial norueguês Lars Von Trier, seriam como comparar um filme feito por um amador em relação ou comparação a de um profissional cineasta experiente, tamanho é a diferença de qualidade dos filmes, entretanto vamos nos focar no primeiro, que é o Diário Proibido. 

  O filme é falado em francês e principalmente espanhol e tem um mérito que até os filmes do Lars não tem que é tratar vontade sexual feminina sem ser algum tipo de doença, mas sim de uma estratégia do homem “castrar” o desejo sexual feminino e “colocar ela no seu devido lugar”, ou seja, colocar na própria cabeça da mulher de que ela fora feita apenas para procriação e não para ter desejo. Diferente de Lars Von Trier, o diretor Christian Molina enfoca seu filme no sentido de que não tem mal algum uma mulher gostar bastante de sexo. 

    Para o diretor isso não se trata de nenhuma doença por mais exagerada em sexo que a protagonista seja, trata-se apenas de uma escolha de aproveitar intensamente a vida. Se um homem gosta muito de sexo este é taxado como garanhão, e porque então quando uma mulher tem essa mesma característica é taxada como ninfomaníaca? Para o diretor espanhol Molina esse seria o xis da questão, entretanto o filme erra grotescamente em confundir uma vontade exagerada sexual em comparação há um descontrole em não conseguir pensar em outra coisa que não seja transar. O filme se confunde exatamente nesse sentido de perceber o que é vontade e o que é de fato uma doença ou um vicio difícil de largar. 
  A intenção do filme espanhol é de certo modo boa, querendo desmistificar que uma mulher não poderia transar “adoidada”; Sim ela não só pode como deve também, afinal a vida é curta e a sexual então: mais ainda. Todavia quando uma vontade acaba te ferindo mais do que te dando prazer, esta suposta vontade tem de ser analisada para identificar como vicio ou prazer mesmo. 

  O filme não deixa isso nítido, ou seja, não conseguimos enxergar o que desconfortar a nossa protagonista supostamente ninfomaníaca. Ela parece andar bem nesses dois mundos: o do prazer saudável e o do prazer sofrível, de modo que não conseguimos classificar nem como ninfomaníaca e tampouco como uma mulher moderna que se entrega intensamente aos prazeres sexuais da vida. De fato existe uma linha muito tênue entre esses dois mundos, mas cabe ao diretor ao menos classificar sua protagonista para que seu filme seja ao menos entendível; Fato este que não acontece.