quinta-feira, 04 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Transcende, manias de um cientista controverso

Veja também comentário sobre NoéDIOGO BERNI , Salvador

26/07/2014 às 01:05
Noé ( Noah ), dirigido e co-roteirizado por Darren Aronofsky, EUA, 2014. Não por acaso que o filme Noé é o mais locado no Brasil atualmente. Mais que um filme, ou seja, um mero entretenimento, a história nos conta uma importante passagem bíblica e ainda nos norteia com a história do surgimento da própria Bíblia sagrada desde a invenção por Deus de Adão e Eva ( o chamado período conhecido por Genesis ) e a posteriori os dois infringindo as leis divinas por comer o fruto proibido representado pela maça. 

  Do relacionamento de Adão e Eva nascem três filhos homens: Caim, Abel e o caçula Set, sendo que este último e na medida do possivel é o que chega ser o mais "parecido" a Deus. Com a presença da culpa de nascer através do pecado e outras coisas mais, Caim acaba por matar seu irmão Abel. Após o assassinato que foi meio uma prestação de conta entre os irmãos mais velhos, o caçula Set se manda do paraíso para não morrer nas mãos do seu ambicioso irmão Caim. 

   Noé somente entra na história séculos mais tarde vindo ao mundo sob a descendência do terceiro da linhagem dos infligidores da lei do jardim do Éden, ou seja, por Set, o caçula de Adão e Eva. Por ter um “coração puro” Noé consegue por vezes “conversar” com Deus; Este que lhe envia um sério recado: “ Noé, eu não gostei nada do que Adão e Eva fizeram no paraíso e por isso acabarei com o mundo com um dilúvio, mas antes de destruir tudo e todos com a água que vou jogar quero que você salve cada par de cada espécie existente no mundo e os coloque em um tipo de arca, peço por gentileza que construa essa arca e salve todas as espécies animais, pois das espécies humanas não vou querer ninguém a não ser você com seu bondoso coração e a sua família, mais ninguém entendeu Noé?”. 

   Depois do papo cabeça em um topo de uma linda colina com o senhor Deus, Noé capta a mensagem recebida, ou seja, "recebe" sua missão e começa então a construir a mega Arca que armazenaria todas as espécies ainda interessantes para Deus. Entretanto, além da complexa construção da mega Arca, Noé tinha que tomar cuidados especiais com os descendentes de Caim; Seres que já estavam de saco cheio de tentar falar com seu criador e este sempre ficar em silêncio, de modo que a certa altura da história tais descendentes resolvem serem “ donos dos seus próprios umbigos”, não considerando mais quem era Deus e se existia alguém que poderia mudar alguma coisa nesse mundo esse alguém era o próprio homem, mais especificamente os descendentes corajosos e sanguinários de Caim.

    Ao meio disto e também para de certa forma ajudar Noé na construção da mega Arca e protegê-la dos “inimigos”, que no caso eram os descendentes de Caim. Deus então espertamente tinha deixado no mundo que ele criou soldados gigantes de pedra, conhecidos por “os protetores do divino” na terra após ter sido traído por Adão e Eva comendo o fruto proibido e por isso estragar todo o plano do grande senhor criador de tudo e todos.

    Com a ajuda dos protetores gigantescos de pedra Noé enfim consegue construir a arca antes da chegada do dilúvio e com todas as espécies animais nela, além do próprio Noé, sua família e o líder dos descentes de Caim que entra como penetra na Arca com a ajuda de um dos filhos de Noé que se sentia injustiçado por seu pai, o traindo nessa ocasião.

   O épico é grande em todos os sentidos, e por isso totalmente é compreensível que tal filme esteja no topo das locadoras do país. Além disso, a fita faz uma justiça com o protagonista Russell Crowe, que tinha a fama de só fazer personagens violentos. O que se vê em cena é um ator amadurecido e capacitado por fazer um papel tão duro e difícil como é o bíblico homem Noé. 
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   Transcendence – A Revolução , dirigido por Wally Pfister, EUA, 2014. Trata-se de um filme literalmente que faz coçarmos o “cocuruto” ou os nossos neurônios apelidados por “ Ticos e Tecos” . Protagonizado por Johnny Depp, que faz o papel de um renomado cientista ( Dr. Will Caster) que tem como “ pregação” a construção de máquinas e a capacidade destas de serem superiores a nós, meros humanóides, ou seja, o homem era o “Bam-bam-bam” da inteligência artificial daquela atualidade. 

   A ficção cientifica começa a ter um ritmo mais pungente quando o prestigiado cientista é acometido de uma tentativa de assassinato contra os seus inúmeros opositores contra as suas teses e pesquisas de que em um dia não muito distante, estaríamos “ a mercê” das máquinas, estas dominando os homens e a Terra. 

   Com os tiros que recebeu na tentativa de homicídio por causas políticas, o nosso genial cientista e pesquisador se encontra agora a beira da morte física, entretanto antes de morrer pede a sua apaixonada esposa Evelyn Caster que ligue o seu cérebro a um novo invento seu capaz de mudar tudo que os homens já tinham visto ou imaginado presenciar. Com a ajuda da cega esposa, interpretada pela belíssima Rebecca Hall, o agora morto fisicamente, porém vivíssimo na rede mundial de computadores, começa então a sua revolução particular, porém com conseqüências a todo o Planeta. 

   O cientista queria nada mais ou menos que se transformar em um novo Deus, curando quem estivesse doente através da ciência avançada por meio da sua inovadora inteligência artificial, porém eficaz, feita através de um sistema operacional que criou segundo antes de morrer com a ajuda da sua esposa fazendo um back-up de sua mente para o HD central da sua empresa de tecnologia da informação. Se nosso protagonista quisesse somente ajudar aos doentes enfermos de doenças como a AIDS ou o Câncer, por exemplo, ele passaria de vilão a herói, mas não era somente esta a ambição desse HD formatado no rosto do nosso protagonista.
 De certo modo lunático ( da turma do Hitler , Mussolini e outros ), o cientista Dr. Will queria ser "somente" Deus- o criador, tanto é que não é a toa que o nome do filme é Transcendence – A Revolução, e esta tal “revolution” passavam básica e necessariamente por transformar todos os humanos em máquinas, e assim sendo, ao menos na cabeça do cientista metade máquina e outra metade humano, de proteger e transformar nosso planeta de doenças, ataques terroristas ou quaisquer outras ameaças que pudessem acontecer, inclusive à vinda do espaço sideral seres extraterrestres. 

   Fato é que a bem feita ficção cientifica nos tira da zona de conforto e faz repensarmos nos dias de hoje quem está mandando em quem: o homem na tecnologia ou o contrário? Acho que a segunda opção seria mais válida, fazendo disso humanos cada vez mais descartáveis no sentido de colocar seus “Ticos e Tecos” para funcionar e não achar facilmente o que procura no Google, por exemplo. Como em quase todo filme de ficção científica de qualidade, trata-se de uma história para se pensar no que estamos fazendo ( ou deixando de fazer) com nossa própria espécie apelidada de humanóide.