sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Balada de um Homem Comum, bom de ver

E mais: nês de Portugal, de José Carlos de Oliveira, Portugal, 1997
27/06/2014 às 10:44
Balada de um Homem Comum, dirigido e roteirizado pelos irmãos Joel e Ethan Coen, EUA, 2014. Assim como no futebol, no cinema também existe uma hierarquia. Filmes de certos diretores, somente pelo fato de serem feitos por esses “medalhões”, tem-se já por si só uma certa expectativa e aceitação de público e crítica especializada. 

  Este introdução serve para apresentarmos o mais novo filme dos irmão Coen, que por sinal tece duas indicações ao Oscar esse ano, porém não levando nenhuma. Inside Llewyn Davis , no seu título original, nos conta uma estória de um músico comum; É importante salientar e até de certa maneira ser repetitivo, que não se tratava de nenhum gênio da música como Bob Dylan, entretanto era um cara esforçado que colocava sua viola e não tinha medo de trabalho. 

   O filme permite que nos refletirmos a respeito de dons de vida; o protagonista logicamente não era nenhum “fora de série”, mas se a música o escolheu ( ou ao menos ele entendia isso), porque não sorrir para a arte de volta? A história em si do músico batalhador e um tanto quanto excêntrico de fato não tem muito sorrisos. 

   O filme é ambientado em um rigoroso inverno norte-americano onde nosso protagonista vive de favor dormindo em um sofá na casa de outros amigos músicos e ganha a vida tocando em pequenos bares ou ruas próximas a estações de metrô das redondezas seu estilo de música preferido: o Folk ( uma vertente do Jaz que tem como principal nome Bob Dylan) na nevoada cidade de Nova York de 1961.

    Sem muita oportunidade e totalmente por acaso, certo dia nosso músico relapso, como todas as noites do seu final de expediente, pedia carona para voltar para o seu sofá da casa de amigos, porém um dia ele consegue uma carona diferente com dois cidadãos bastante estranho que estava indo para Chicago. 

   A viagem é quase toda calada, onde no final foi que o músico viajava com gangsteres, mas como ele doidão logo se esqueceu do risco que correu com aqueles “silêncios gritantes” durante o trajeto. Chegando a Chicago são e salvo o músico compra um jornal e vê que está rolando um concurso musical para formar uma nova banda. 

   Ele prontamente toma um café para espantar a “friaca” e se dirige ao teste que podia lhe um emprego em uma banda com patrocínio de uma boa gravadora para época. Como mencionamos não se tratava de nenhum Bob Dylan o tal musico peregrino, mas também ele tinha seu valor, seu suingue e ritmo. Entretanto sua tal carga suinguística de Folk não agrada e ele perde no teste tendo que voltar para Nova York sem grana e com uma decepção que só os artistas podem imaginar, pois tinha certeza que passaria no teste e entraria na nova banda. 

   Trata-se de um filme bonito, primeiro por ser dos irmãos Coen, e em segundo lugar porque conta uma história de uma pessoa totalmente comum, desprovida de nenhum Q.I. elevado, assim como são a maioria das pessoas do mundo, e talvez por esses fatores o filme se torne tão agradável e cativante de assistir. 
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   Eu, mamãe e os meninos, de Guillaume Gallienne, França, 2014. A comédia do ano na França. Alguns laços familiares são tão possessivos que podem estragar uma vida, e essa é a base central desse filme que ganhou cinco prêmios no César ( o Oscar francês ), incluindo melhor filme e ator, e não por acaso, pois se trata de uma comédia com C maiúsculo e não como tantas outras que só nos enganam. 

  O enredo se passa entre uma família de três irmãos homens sendo que o caçula cresce grudado na mãe, adorando brincar de boneca e tem certeza que é mulher em um corpo de menino. Na sua adolescência, por sofrer tanto bullyng na escola, tem certeza que é homossexual, porém não mantém relações com outro homem, só imagina que seja. Já começando a fase adulta o caçula mimado por uma mãe ainda possessiva e insegura, se vê apaixonado por uma mulher e não sabe como lhe dar com essa nova situação. 

   De um dia para outro, criado primeiro para ser a filha da sua mãe que só teve meninos, e ainda na adolescência por resquícios de sua criação feminina é taxado como homossexual, agora em fase adulta percebe que não é nada disso e sua praia mesmo são as mulheres. A comédia é narrada comicamente pelo protagonista da história que assina também a direção e roteiro do filme. Sem dúvidas o melhor filme do ano produzido pela França. 
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   Inês de Portugal, de José Carlos de Oliveira, Portugal, 1997. O filme é inspirado e baseado na obra Os Lusíadas do principal poeta português de todos os tempos: Luis Vaz de Camões. Inês é uma filha bastarda não reconhecida de um nobre da corte portuguesa. Por sua beleza chama atenção do até então príncipe da coroa portuguesa Dom Pedro; Príncipe este que já era casado com uma nobre baronesa da corte portuguesa, porém com laços espanhóis fazendo com que os filhos do casal nasçam com uma cara não típica e totalmente portuguesa, com certeza. 

  O fato é que o príncipe Dom Pedro se apaixona ardentemente por Inês de Castro no primeiro encontro deles, é o que dizemos que é amor a primeira vista. Dom Sebastião, o rei de Portugal, logicamente não aceita que Dom Pedro abandone sua esposa nobre para cair em uma paixão pela bela Inês de Castro. 
Sendo assim então envia Inês para o norte de Portugal, afim de que ficasse bem longe de seu filho e não estragasse seu reinado. Apesar da distancia e dos guardas, Dom Pedro sempre dava um jeito de conseguir encontrar Inês e ter cinco filhos mesmo com a bela trancafiada em uma masmorra. Por força do destino ou da tristeza, a então esposa do príncipe falecera , deixando o caminho livre para Dom Pedro oficializar seu matrimonio com Inês de Castro. Por essa questão, pai e filho se digladiam. 

   O rei Dom Sebastião querendo matar Inês ( daí a famosa expressão usada até os dias de hoje: “ A Inês é morta” ), e o filho querendo se casar com ela. No fim das contas quem tinha mais poder consegue o que quer, ou seja, a Inês foi mesmo morta. Entretanto quando, por pura raiva e rancor ressentido, Dom Pedro mata seu pai pela morte de sua amada e este se torna o novo rei de Portugal, e então agora nomeia Inês de Castro como a nova rainha de Portugal, mesmo esta já estando morta. 

   O conto de Inês de Castro na obra dos Lusíadas de Camões é considerado como o mais belo de todo o seu extenso livro, e sem dúvidas o mais romântico. O filme, na medida do possível, conta esta história de maneira que não atrapalha o conto original do genial Camões, e por isso vale assistir até para entendermos um pouco mais sobre a história do próprio Portugal e conseqüentemente do Brasil.