sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Getúlio, para se entender a história do Brasil

Veja também o comentário sobre o filme de Mautner dirigido por Pedro Bial
14/06/2014 às 11:35
  GETÚLIO de João Jardim: A era Vargas ficou conhecida como um perido da ditadura em que nada era permitido e o país meio que ficou parado devido a isso, porém não é verdade, além de ser um ditador tirano, Getulio contribuiu, e muito, para o desenvolvimento do país, apesar de ter rasgado duas constituições e por pouco não rasga uma terceira. 

  A famosa CLT e outros benefícios empregatícios existem hoje somente porque Getulio criou. O filme do João Jardim narra os últimos dias de vida do ditador antes do suicídio. 

  A trama se configura com uma suposta acusação de tentativa de assassinato do seu arco-inimigo: o jornalista Carlos Lacerda, vitimado este apenas com um suspeito e armado tiro no pé do jornalista popular e matando um brigadeiro de alta patente da aeronáutica com uma bala no peito. 

   Fato é que com esta acusação a pressão pela renúncia do gaúcho Getulio permeia o filme até os seus créditos finais. Em entrevista a ator Tony Ramos, que incorpora a personagem presidencial, comenta que trata-se de um filme para reflexão. Não concordaria tanto com a afirmação do ator global, visto que, mesmo com o diretor Claudio Jardim, querendo “encobrir” os fatos, fica nítido que a mensagem para assassinar Carlos Lacerda veio de cima, ou seja, do próprio presidente. O filme nos deixa sentir “os silêncios “ de angústia de Getulio em seus últimos dias, assim como o carinho que sua filha mais velha tinha por ele. 

  A biografia é, portanto uma espécie de documento que nos permite entender um pouco mais da história política do Brasil, entendendo assim um pouco mais dos nossos dias e protestos atuais. João Jardim, Brasil, 2014. A era Vargas ficou conhecida como um período de ditadura em que nada era permitido e o país meio que ficou parado devido a isso, porém não é verdade, além de ser um ditador tirano, Getulio contribuiu, e muito, para o desenvolvimento do país, apesar de ter rasgado duas constituições e por pouco não rasga uma terceira. 

   O filme do João Jardim narra os últimos dias de vida do ditador antes do suicídio. A trama se configura com uma suposta acusação de tentativa de assassinato do seu arco-inimigo: o jornalista Carlos Lacerda, vitimado este apenas com um suspeito e armado tiro no pé do jornalista popular e matando um brigadeiro de alta patente da aeronáutica com uma bala no peito. Fato é que com esta acusação a pressão pela renúncia do gaúcho Getulio permeia o filme até os seus créditos finais. Em entrevista a ator Tony Ramos, que incorpora a personagem presidencial, comenta que trata-se de um filme para reflexão. 

   Não concordaria tanto com a afirmação do ator global, visto que, mesmo com o diretor Claudio Jardim, querendo “encobrir” os fatos, fica nítido que a mensagem para assassinar Carlos Lacerda veio de cima, ou seja, do próprio presidente. 

   O filme nos deixa sentir “os silêncios “ de angústia de Getulio em seus últimos dias, assim como o carinho que sua filha mais velha tinha por ele. 

   A biografia é, portanto uma espécie de documento que nos permite entender um pouco mais da história política do Brasil, entendendo assim um pouco mais dos nossos dias e protestos atuais. Nota dez para as atuações e pela direção de arte, nos mostrando um Brasil desconhecido das décadas de cinqüenta e sessenta do século passado, entretanto nota zero para o roteiro “co-assasinado” pelo próprio diretor João Jardim, que por vezes se torna monótono ou que não deixa " às claras" a posição de Getulio em mandar matar a pessoa que mais lhe falava mal, o jornalista Lacerda;

    Além de que o filme peca em um detalhe histórico grave: Em momento algum menciona-se no filme a mídia “ficha branca” que apoiava Getulio Vargas, como por exemplo o Jornal Última hora, comandado por um amigo seu jornalista do Rio Grande do Sul. Getúlio é, portanto um filme de nota cinco, mas que para em tempos de Copa do mundo e protestos, se faz necessaríssimo de conferir. 
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Karem Chora no ônibus, de Gabriel Rojas Vera, Colômbia, 2011. Certo dia uma mulher recém-casada descobre que está sendo traída. A dona de casa enlouquece, fica deprimida e toma uma atitude: se divorciar. Como a jovem esposa separada casou-se muito cedo e por isso não fez universidade e não tinha trabalho e nem onde cair morta, a mulher desesperadamente começa a morar nas ruas de Bogotá, capital da Colômbia.

Existe um ditado em que diz que nada acontece por acaso, pois bem: isso sucede com a protagonista do filme. A traição do marido serviu para que ela se libertasse de um casamento infeliz com uma mulher sem perspectiva para nada e ainda por cima não apaixonada pelo ex-marido. A mulher agora nas ruas da perigosa Bogotá ( pois ela não admitia voltar a morar com a sua mãe por não ter uma relação amigável) tinha de se virar para sobreviver. 

De tudo ela fazia um pouco: tentou vender revistas de porta em porta, distribuiu anúncios publicitários entre os pedestres, roubava alimentos nos supermercados para não morrer de fome, até que um dia foi pega roubando um pedaço de pão com queijo e quase presa por isso, porém surge como um anjo da guarda em um filme da Disney um dramaturgo e paga o roubo da moça e a leva para sua casa por ter ido com a cara dela. 

A partir desse momento a vida dessa sofredora, mas sempre sonhadora jovem mulher desamparada, toma um rumo diferente. A Karem apaixona-se pelo teatro e pelo dramaturgo e se torna uma atriz de tablado nas peças em que seu namorado escrevia. Um filme colombiano com justíssimo orçamento, mas com roteiro e atuações brilhantes, mostrando mais uma vez que em toda parte da América do Sul produz-se bons filmes. Basta peneirar que acha. 
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   Jorge Mautner – “ O Filho do Holocausto”, Pedro Bial, Brasil,2013

 A fita que é uma biografia do cantor Jorge Mautner, conta nos mínimos detalhes como uma pessoa que já nasce com uma predisposição para ser artista e com o passar do tempo e das experiências vividas acaba se tornando um dos maiores artistas brasileiros, liderando inclusive um dos movimentos culturais mais importantes do Brasil: 

 O tropicalista antropofágico da música brasileira nos anos 1960 e 1970, juntamente com outros artistas como Tom Zé, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros.

 O filme é bacana porque é seco e simples: não existem rodeios nem perdas de tempo narradas nas estórias de vida do músico em questão. Tudo é falado na “lata”, e de uma compreensão rápida, de modo que com esse ritmo o filme se torna de certa maneira um entretenimento agradável e até raro nas cinebiografias nacionais, pois entendemos sem firulas o que um artista tem de passar para tornar-se um de fato influente e importante para o cenário cultural. Em certo trecho Mautner narra seu primeiro “despautério” perante a sociedade. Certa vez com uns oito anos ele assistia com um amigo o jogo do Corinthians, seu time de coração, contra o São Paulo.
 Com seu time perdendo e seu amigo gozando sua cara, Jorge Mautner não agüenta tamanho desrespeito e apunhala na barriga seu amigo são- paulino com seu canivete suíço que sempre guardava no bolso. Segundo Jorge depois do ocorrido ele nunca mais veria o amigo de infância, por questões óbvias. 

O filme ainda conta com a bela participação de sua filha e diretora de novelas da Globo: Amora Mautner. A filha conta como foi importante a criação que teve deste pai “maluco”, sempre a incentivando a ler ao invés de ver televisão. Outro relato interessante narrado por ela era quando o músico ia pegá-la na escola apenas de sunga molhado ainda da praia, enquanto os outros pais engravatados chegavam. Esta lembrança, junto com outras tantas por ser criada por um pai artista e tendo ainda por cima avós que passaram pela câmera de gás nos campos de concentração nazista, custastes à filha há algumas décadas de análise. Todavia Amora não tem dúvida em declarar que apesar de tudo não teria com ter tido um pai melhor que Jorge Mautner. 

Apesar das histórias fortes do cantor e de seus próximos, o filme é surpreendentemente leve, bom e agradável de ver. Com um filme bem feito o Pedro Bial acertou dessa vez, embora seja ele sendo quem o é.