Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Prenda-me se for capaz e Durval discos

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31/05/2014 às 11:11
  Prenda-me se for capaz, de Steve Sbilberg, com Leonardo DiCaprio e Tom Hanks, EUA, 2002. Tudo começa sobre uma dificuldade: a falência do pai do protagonista. Por isso, a falência, vem a separação da esposa. 

  O filho, que na época era um "miradinho" garoto via sua família desmoronar e promete ao pai, e principalmente a ele mesmo, que quando ficasse maiorzinho , quitaria a vida do seu maior ídolo, seu fraco e otimista pai. O ostracismo do pai serve como uma mola propulsora para que o garoto começasse a falsificar cheque da Panair, a principal agencia de viagens aéreas dos EUA e do mundo. 

   Agora já com dezoito anos e com a boa interpretação de Leonardo DiCaprio, o garoto consegue através de falsificações de crachás dos pilotos e informações sigilosas da Panair através do seu charme jogado nas funcionárias dos check-ins dos aeroportos da empresa, conseguir o posto de copiloto de aeronave. 

   Cada funcionário deste gabarito recebia seus honorários através de um cheque calção que poderia ser trocado por cash em bancos credenciados ou em aeroportos. Com uma habilidade em falsificar fora de série nosso protagonista consegue fazer "xeroxs" perfeitas dos seus honorários de copiloto. Fica rico antes de completar vinte anos e por isso começa a ser perseguido pelo agente da FBI, interpretado de forma esforçada pelo ator-figurão Tom Hanks. 

  Essa busca de Hanks pelo Leo continua o filme todo a partir da descoberta que existia um falsificador de cheques na Panair que estava causando um rombo significativo nos balancetes anuais da multinacional aérea. Com o FBI em sua cola nosso protagonista muda de ramo para não ser pego. 

  Casa-se com uma aeromoça que conhecera e comera em serviço nas nuvens a passa a trabalhar em outra cidade na firma do sogro como um prestigioso advogado que tinha o titulo de aluno numero um da universidade de Haward no curso de direito, diploma esse perfeitamente falsificado. Com o tempo e a monotonia de uma firma de direito e uma esposa frígida nosso protagonista enche o saco de brincar de ser advogado e se embrenha agora como médico em outra cidade e com outro diploma também impecavelmente falsificado por ele.

   O filme é baseado é fatos verídicos e no final nosso genial falsificador facilita as coisas para que o FBI o pegue. Em mãos agora aos rigores da lei e por ironia do destino o personagem agora vira policia desvendando outros falsificadores como ninguém tinha conseguido antes. Um ladrão agora se transforma em um membro fundamental para a inteligência do FBI.

   O filme se enfatiza em um ponto, que é que  talento e inteligência surgem das pessoas que menos esperamos; O cara nasce assim e pronto, bota fogo no mundo e muda toda uma história. Um típico filme de superação de destino , que este destino, nem sempre é guiado por ações politicamente corretas. 
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   Durval discos, da Anna Muylaerte,com Ary França, Brasil, 2007. Em alguns filmes as gírias e os comportamentos das pessoas que vivem em determinadas cidades fazem com que esse mesmo filme tenha suas personagens guiadas através do ritmo da cidade, ou seja, do cotidiano da cidade em questão. 

   Por o filme ter sido rodado em São Paulo, fica claro a influência da cidade na tomada de decisões das personagens e ainda no que aconteceria na história do próprio filme. Porém o filme Durval discos, além de seus personagens terem um ritmo frenético por viverem em uma cidade que nunca para, leva consigo uma simplicidade inteligente em seu roteiro, principalmente a do seu protagonista, que era um vendedor de discos de vinil, onde essa tecnologia em consumir musica já se encontrava ultrapassada com os CDs, DVDs, Ipods, etc. 

   A vida do Durval era pacata e ele, apesar de pobre, era feliz por trabalhar no que gostava: Vender "bolachões "e ficar ouvindo música o dia todo, e por vezes vezes conseguir passar na venda alguns vinis as pessoas mais tradicionalista, assim como era o nosso excêntrico personagem central. 

   Durval já tinha passado dos quarenta anos,era solteirão, e ainda vivia na casa da sua mãe. Não tinha, para ele, nenhum “grilo” em relação a isso: morar som sua mãe e não ter um compromisso sério com ninguém: a música e as letras e melodias delas o preenchia por completo, assim como o néctar das flores preenchem e alimentam os beija-flores. 

    Durval começa a ter verdadeiros problemas quando uma diarista esquece de propósito seu bebe no quarto de empregada da casa dele e esta parte para o nordeste sem avisar, deixando o recém nascido lá no quartinho chorando e se manda para sua terra natal. Nosso protagonista, que paquerava a moça que vendia sorvete ao lado de sua loja de disco, explica o ocorrido e a pede para que fique com o bebe. A piriguete obviamente não aceita a proposta dele. Durval, que até então era um idealista que não se preocupava com nada além de preencher sua alma com música, agora teria de se transformar da noite para o dia em o pai daquele recém-nascido que caiu do céu ou inferno para ele. 

  Fato é que com o passar dos meses tanto Durval como a sua mãe acabam por se “derreter” pelo bebe, e prestes a irem ao cartório para registrá-lo chega sua mãe do Piauí desesperada a procura de sua cria, e com o poder de mãe que tinha, leva seu bebe de volta ao Piauí pedindo desculpas nesta tragicomédia. Apesar de contar uma história simples, o filme é bom por ter um roteiro também simples, porém inteligente e bem engendrado. As atuações das personagens com ares ou frases tipicamente paulistanas como:" oh meu ! oh loco, Putz veio" ,acrescentado com um humor sem se fazer "piegas" faz do filme uma obra interessante de qualidade que foge dos padrões comuns dos filmes nacionais vistos. 
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Baixio das Bestas, dirigido por nada menos que Cláudio Assis e ainda com o roteiro de Hilton Lacerda, 2007, Brasil. Quando tecemos opiniões sobre diretores de cinema que se encontram aquém do seu tempo, ou seja, que estão vivendo em um período ou geração que não dá devido valor ao seu trabalho por puro; Primeiro: preconceito de mudar o já estabelecido; 
E em segundo lugar: pela ignorância, tanto da critica como a do público, por ambos não conseguirem entender ou captar a essência dos filmes e a genialidade visceral de um tal pernambucano mais conhecido como Cláudio Assis: o diretor - poeta. 

A história de Baixio das Bestas é ambientada na árida zona da mata pernambucana, onde um avô, para ganhar uns trocados extras , porque o bolsa família não dava conta de todas as suas despesas, colocava sua neta de doze anos para lavar a roupa da comunidade durante o dia e no entardecer da noite a menina dançava para homens em uma espécie de bordel,a fim de completar a renda do avô miserável que não fazia literalmente nada , há não ser viver com o dinheiro que sua neta conseguia, e ainda por cima estuprava sua própria neta no final da noite ou do expediente. Certo dia a menina não aguenta mais tantos “trabalhos noturnos” e se pica para Recife para fugir desse avô sem alma e tenta encontrar sua mãe na metrópole, que a tinha deixado com aquele idoso ambicioso, ou seja outra sacana. De suma o filme é basicamente isso.