sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Venus in Fur, uma referência da sétima arte

Três bons filmes para você curtir neste final de semana chuvovo
19/05/2014 às 11:17
Venus in fur ( a pele de Venus ), com direção de nada menos que Roman Polaski, França, 2014. O filme tem apenas duas personagens e um cenário, que é um teatro. As personagens são: Thomas, um estreante diretor de teatro, interpretado por Mathiel Amalric, que pretende ensaiar a peça A Pele de Vênus,que é uma adaptação literária homônima do escritor Sacher Masoch, e uma atriz chamada Vanda, interpretada pela bela esposa do Polaski, Emmanuelle Seigner, que chega atrasada para o teste da peça, de modo que quando ela chega ao teatro todas as outras pretendentes ao posto já tinham sido dispensadas pelo exigente director estreante.

 A história se inicia com as desculpas da atriz pelo seu atraso. A tal desculpa é tão convicente que a conversa vai fluindo até que os dois entram no roteiro da peça e começam a ensaiar. De fato a peça é tão intrigante e visceral porque não temos a nítida certeza quando o diretor e a atriz estão discutindo suas vidas pessoais ou da lida do roteiro da peça. O clima, apesar de estarem em um teatro vazio, é frenético. As personagens não param de se comunicar; 

São raciocínios e falas rápidas por cima de outras falas e pensamentos, e não sabemos de fato quando essas conversas e raciocínios discutem a peça ou a vida real das pessoas que interpretavam as personagens. O que fica nítido é o teor intelectual da peça que estava ensaiando, esta com ênfase em teses existencialistas, e também por um certo ar sedutor da atriz para com o diretor. 

As únicas pausas que ocorrem no filme acontecem devido a telefonemas que o diretor recebia da sua esposa, esta já prevendo que ele chegaria em casa após o horário de testes, prevendo então de que estaria acontecendo algo mais do que somente um teste profissional de teatro, ou seja, desconfiava que estava correndo o risco de estar sendo traída, pois como a esposa conhecia tal peça , o seu roteiro era de um homem que pede à mulher que ama para que ela o torne seu escravo, infringindo todas as torturas que quiser.

 Aliás, é do nome do autor (Masoch) que vem a origem da palavra masoquista. Ao contracenar as cenas da peça, ambos passam a viver suas perversões. A personalidade provocante e dominadora de Vanda se sobressai, e aos poucos ela vai comandando a mente de Thomas, levando ele a fazer coisas estranhas. O filme levou o prêmio de melhor direção no César ( o Oscar francês ) pelo pulso firme de Roman Polanski, fazendo que suas únicas duas personagens sejam perfeitas e por isso não deixa ninguém bochechar de sono durante todo o filme, e afinal de contas Polaski não é qualquer diretor, trata-se de uma referência na sétima arte e por isso que suas obras sempre tem algo para apreciarmos e consequentemente aprendermos.
 
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Caçada humana, dirigido e roteirizado por Marcin Krzysztalowicz, Alemanha e Polônia, 2012. A obra fora premiada no sexagésimo oitavo festival de Berlim; A traição tem muitas caras: esta frase é o subtítulo ou chamariz do estratégico filme, frase esta que é atrelada ou posta em baixo do título do filme em seus folders de divulgação. A trama original é de origem estadunidense da década de sessenta do século passado. Em nosso Remake de 2012, o roteiro permanece impecavelmente igual ao original, e inclusive com o “ar de guerra” mixada ao mistério de cacoetes ( as ) que fazia o elemento instigante e nervoso do denso filme, e ainda com uma atmosfera literalmente fria em um rigoroso inverno europeu. 

Mas vamos aos fatos ou elementos que fizeram deste filme ser premiado em Berlim. Em primeiríssimo lugar tenho de ser honesto convosco: Tal filme não triunfou em nenhum outro festival a não ser o principal da Alemanha, o de Berlim. E não precisa ser nenhum gênio para compreender o porquê disso. O filme conta a história de refugiados alemães em florestas na Alemanha devastada pela perda da segunda guerra mundial. Os sobreviventes se escondiam em acampamentos nas matas frias para fugir de soldados inimigos. 

Porém, sempre existe um porém, e confesso que adoro escrever essa palavra, então, porém, “voluntários” que se adentravam nas matas para dar comida e atendimento médico aos refugiados eram na verdade observadores das forças aliadas inimigas comandas pelos EUA e a Inglaterra. A espreita, os “ajudantes” desses escondidos famintos alemães e polonoses ( já que há essa altura, ou seja, que ao final da guerra, esses dois povos por ironia do destino, se encontravam unidos para sobreviverem por força maior ), enviavam informações para que os soldados chegassem ao inóspito e frio matagal afim de fazer-lhes uma surpresinha, ou seja, um "Salve Geral" ou em outras letras: um extermínio de alemães e poloneses que se escondiam por lá. Entretanto o principal trunfo do filme fica por nos mostrar que em tempos de guerra as pessoas se transformam pelos horrores vistos e vividos, por isso ficam capazes das mais maldosas ações e traições, pois não estão em seu estado “normal” para uma assimilação do que é o certo ou do que errado fazer nesse perído de caos, ou seja, em um estado de transe que se encontravam.

 Quem já viveu uma guerra pode falar com mais propriedade disso; Tenho a opnião de que os envolvidos em guerra perdem esse tato, essa sensibilidade humana ( não consigo mais explanar sobre o assunto porque ainda bem, não tive tal experiência em uma guerra literal, há não ser a nossa guerra particular e da grande maioria, que é a de todos os dias para sobreviver estudando e trabalhando ao mesmo tempo ); Porém filmes de guerra ou que contam histórias de pós guerra, como este por exemplo, me causam certo interesse, o qual também não saberia escrever o por quê . 

Chutaria que talvez pelo fato de o indivíduo se encontrar em um estado de tamanho desespero vendo a morte “bater em sua porta” há todo o momento, que faz dessa pessoa ter um olhar “mais real” do que é isso que significamos ou apelidamos com o nome de Vida.

 E perguntamo-nos: para quê ela, a vida, vale de fato, será que tudo o que acreditamos vale ser fiel e literalmente acreditado no "fringir dos ovos" no fim da vida? Realmente não sei, são somente algumas especulações de um ser curioso por tentar ter a pretensão de ser um indivíduo melhor; Acho que a tentativa em resenhar esse filme tem esta auspiciosa finalidade, e de fato, é difícil medir se houve êxito ou não no entendimento principal que a densa obra nos instiga. De toda ou sem sorte alguma, ia escrevendo mais acima que dificilmente tal filme ganharia em um outro festival a não ser o de Berlim ,ou talvez o da Polônia. pelo fato de contar mais uma história de alemães que se estreparam junto com a sua não tão inteligente assim Gestapo, pelas forças aliadas que derrubaram a insana tese de Hitler que a teoria ariana conquistaria o mundo. 

O fato do filme ganhar um prêmio em Berlim em pleno ano de 2013, por nos comtar uma história veredíca alemã, faz termos certeza, ao menos há este em que vos escreve, de que ainda existe um resquício de sentimento, e porque não escrever: de orgulho da nação alemã para com sua recente história nazista, fato este que acho um tanto quanto preocupante por ainda assistirmos há inúmeros movimentos pro - nazistas ao redor do planeta em pleno século XXI. Todavia no tocante ao filme visto, este é indicado para pessoas que gostam de obras de períodos de guerras, com direito a cenas fortes de torturas, e principalmente por um jogo de estratégias políticas-militares , com um roteiro impecável nesse quesito, que fazem uma nação ganhar em prol de outra perder em uma guerra por detalhes minimos, mas que juntados formam um quebra-cabeças ganhador do jogo. Sem dúvidas Caçada Humana se consiste em um filme para se pensar, e por isso vale ser conferido.
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Amor Bandido, escrito e dirigido por Jeff Nichos, com estupenda atuação de dois garotos desconhecidos que roubam a cena e Matthew McConaughey no elenco, EUA, 2013. Correrei o risco em ser piegas , mas ainda acho que o amor é a coisa mais profunda e poderosa que existe. Como ele, esse sentimento que tem “pés e mãos próprias” pode mudar o rumo das pessoas. E o que falar da generosidade humana sem falar de amor? Pois esta, a generosidade humana, é fruto desse sentimento que vem do coração, do dar e não esperar nada para receber. 

O amor verdadeiro por vezes não pode ser leve, às vezes e dependendo do gênio da pessoa este nobre sentimento tem de vir adequado em igual à carga intensa dessa pessoa não tão leve assim. Todavia independendo dessa pessoa ser leve ou pesada, esse sentimento chamado Amor é mesmo foda e ponto final. Pois bem: Tecei estas primeiras linhas para escrever sobre um filme que acabei de assistir, e por a visceralidade da fita está ainda “bem na fita” da minha mente, deixarei que estas linhas falem por si próprias. Sem duvida fora o melhor filme que vi esse ano: Amor Bandido; um típico movie da cena underground norte-americana. 
Tem muita coisa que não aprecio dos EUA, porém acho que existem mais coisas boas que ruins por lá. Podemos imaginar de tudo um pouco sobre os EUA, até que não seja um pais que respeite os outros países, mas o que não se pode falar ou escrever que trata-se de um país de covarde, pois isso não é verdade. Eles sempre dão sua "cara à tapa" em todas as áreas por serem pioneiros em quase tudo, passando pela economia e chegando até as artes. Sei que ainda não teci nada sobre o filme, ou melhor , não escrevi nenhuma sinopse dele, porém tudo que já me foi escrito até aqui meio que representa a alma dessa tocante obra, mas para o entendimento ficar mais claro ainda posso citar que tudo que escrevesse sobre o filme, agora não conseguiria mais“resumir” tão bem como já foi resumido, ou seja, o espírito que o filme quis passar já está escrito nessas linhas.

 O amor é a causa e a consequência dos fatos que ocorreram na fita, sem esquecer a generosidade humana de dois meninos de quatorze anos cada, que ajudam um fugitivo a encontrar sua namorada e ainda ajudar este a fugir dos nossos "rigores da lei" por ter cometido um crime passional. Esse sentimento nobre e que nem todos tem a sorte de sentir, que é o amor, ou seja, dar-se a uma pessoa se esquecendo de si, é de fato "inescrevível": tem de sentir para saber, não dá escrever mesmo. Filmes como esse faz termos certeza de que ainda vale se ariscar por alguém ou algo que valha. Estará entre os meus tops dez vistos do ano sem dúvidas, belo filme