segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

NEBRASKA, filme injustiçado no Oscar 2014

Duas peliculas para se curtir no feriadão da Semana Santa
19/04/2014 às 21:07
Nebraska, dirigido por Alexander Payne, EUA, 2013. Apesar de ter concorrido a seis indicações, inclusive de melhor filme, ao Oscar desse ano e não ter levado nenhuma, ainda assim não tenho dúvida nenhuma ao afirmar que se trata de um dos melhores filmes dentre os indicados a premiação industrial. 

   O filme nos conta a história de uma relação familiar que tem no seu patriarca de idade avançada, e por isso talvez, já dando pinta de alguns sinais de esclerose. Nada que se passe na tela ele como um coitado, pelo contrário, o que percebemos é um senhor de idade lutando com bastante louvor e otimismo contra a doença crônica. 

   Quanto mais ele se esquecia das coisas, mais ainda éramos seduzidos pela interpretação do ator Bruce Dern , que inclusive concorreu ao premio de melhor ator ao Oscar, e injustamente não levou. Entretanto temos como esqueleto roteiral esse aprazível senhor que gostava de tomar uma birita, e por uma propaganda, pensa que ganhara Hum milhão de dólares em um prêmio tipo “raspadinha”. Alias ele não pensa que ganhou, ele tem certeza. 

   Mas para ganhar seu prêmio ele tem que percorrer uma distancia considerável, que era de Montana, cidade em que morava, até o Nebraska, pois a sede da empresa se encontrava lá para receber o suposto prêmio do bilhete sorteado. Em um tipo de despedida da lucidez do pai o filho mais parecido com ele (que colocava sempre a emoção na frente da razão, diferente da sua mandona mãe e do outro irmão, um promissor jornalista televisivo ) ,pega a estrada com o pai rumo ao Nebraska .O filho era um vendedor de televisões em Montana, e como o pai, tinha poucas aspirações materiais. Indagando uma vez seu pai perguntando-lhe o porquê quis ter filhos, este responde secamente:

    “Porque gostava de transar, nunca quis ter filhos, isso é obra de sua mãe”. Esses diálogos ao longo da estrada só fazem aproximar ainda mais a relação distante dos dois, mostrando que amor , por vezes, não se trata de uma questão de escolha, mas sim de destino. Um roadmovie em preto e branco que não deixa a desejar a nenhuma superprodução; Belíssimo e forte filme. 
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   Welcome, dirigido por Philippe Lioret, com Vincent Lindon, França, 2009. O filme lança como tema a dificuldade nas relações políticas emigratórias da Europa atual. O enredo se passa quando um jovem quer sair do Iraque, devido à guerra quando os EUA tomaram conta de lá e também porquausa de um grande amor que se já se encontrava em Londres, também devido a guerra em Bagdá. 

   O garoto com dezessete anos faz de tudo para ir para onde estava sua namorada. Todavia quem lhe deu abrigo foi França, e não a Inglaterra( aliada dos EUA) para fugir da guerra insana onde todos seus familiares já sido estraçalhados por uma granada não se salvado ninguém, há não ele mesmo por não se encontrar em casa no momento.

  Mesmo o garoto tendo sido acolhido pela França, ainda assim ele não desiste de ir para Londres de qualquer maneira, e em uma dessas tentativas em atravessar a fronteira ele é pego na estrada tendo que voltar a França, muito frustrado, óbvio. Todavia ele não desiste em ficar com sua namorada e tem um plano atípico e corajoso: Atravessar o Canal da Mancha a nado; 

   Mais ou menos uns treze quilômetros a uma temperatura de 10 graus positivos separando um país do outro. Por tal motivo a garoto sonhador iraquiano começa a pagar aulas de natação a um francês em crise conjugal com sua ex-esposa, da qual ainda sente falta e ela dele, mas a frieza e o comportamento francês não o deixam darem o "braço a torcer" pela volta ao matrimônio. Por solidão o garoto é adotado por esse durão francês que se encontrava carente de pessoas e rumos existenciais ( este mesmo cara que fora também um exímio nadador quase olímpico e, talvez por isso, frustrado de não ter participado de uma Olimpíada por seu gênio já forte desde muito jovem). 
Para preencher esse vazio existencial e a sua incapacidade de lhe dar com as pessoas o ex-nadador passa a treinar quase que gratuitamente o garoto iraquiano para atravessar o canal da mancha. De fato ele dava aulas ao garoto em uma piscina coberta, mas não acreditava muito que o garoto tivesse coragem em atravessar o canal da Mancha, como havia o informado. Para o ex-nadador o menino iraquiano se encontrava em um estado parecido com o dele, ou seja, sozinho e sem ninguém para pedir ajuda. Não acreditava que o garoto queria mesmo arriscar sua vida nadando. Para o ex-nadador o menino queria só um abrigo e comida, coisas que lhe foram dadas e há outros colegas dele também que se encontravam na mesma situação: Fugindo da guerra do Iraque.

   Uma história comovente que nos envolve por seu caráter humano “doativo” na bela língua francesa, além de nos mostrar que muitas vezes temos que fincar nossos pés no chão e perceber que a vida é mais que “um amor adolescente”. Ela, a vida, é ainda mais dura quando viramos adultos, e é melhor enxergarmos essa diferença, caso contrário tendemos a ficar a mercê dos acontecimentos e outras pessoas acabam por se intitularem “Donos de você”. Um filme tocante que mostra a solidão e a solidariedade em situações limites e talvez por isso saímos no final da sessão acreditando um pouco mais no ser humano.