Colunistas / Cinema
Diogo Berni

ROBOCOP, a tropa de uma lata, perda de tempo

Philomena, de Stephen Frears , no elenco com Judi Dench e Steve Coogan, EUA, 2013
08/03/2014 às 08:49
 Philomena, de Stephen Frears , no elenco com Judi Dench e Steve Coogan, EUA, 2013. Aos 79 anos e com problemas na visão a protagonista Judi Dench em ótima atuação , que concorreu ao Oscar de melhor atriz, mas não levou, era ajudada por sua filha para decorar os textos da sua personagem, mas logo de cara ficou interessada em fazer o filme por se tratar de fatos reais. 

  Os fatos foram ocorridos entre os anos de 1950 a 1960 na Irlanda, onde meninas que engravidavam eram obrigadas a trabalharem em conventos católicos para cobrir os custos dos cuidados que as freiras tinham com os bebes. As “meninas-mães” tinham uma hora diária para ficar com seus bebes e depois voltarem as suas rotinas de escravas no convento como domésticas. 

   Pensavam as jovens mães que as freiras estavam dando uma força para elas, ajudando a criar suas crianças, já que todas eram abandonadas por suas famílias após a descoberta da gravidez. Mas isso era mero engano; As freiras comercializavam esses nenéns para serem adotados por famílias norte-americanas. Estima-se que mais de vinte mil crianças tenham entrado nesse esquema ilícito de adoção, e isso em números concretos, já que o filme é baseado em fatos reais. Porém voltando a ficção-real a nossa protagonista esconde esse segredo por cinquenta anos e por acaso do destino conhece um jornalista desempregado e este resolve contar o caso. 

  De início o jornalista não se interessa pela história de cunho humano, pois só cobria pautas de política na BBC e achava uma perda de tempo escrever algo de “interesse humano”, porém como estava desempregado e entrando em depressão acabara por aceitar o desafio em tentar achar o filho da Philomena e registrar tudo em um livro. Com o jornalista e a Philomena querendo a mesma coisa: Os dois partem, a partir de uma pista, para os EUA, mas precisamente em Washington D.C. para procurar o suposto filho após cinquenta anos. Após chegarem a solo estadunidense começa uma peregrinação para achar este filho sumido, se é que tal ainda estivesse vivo, doente, drogado ou sem teto. 

  O filme, que concorreu ao Oscar , mas não levou, é emocionante porque vemos e sentimos a dor da perda e o poder altruísta do perdão através da sua protagonista. As cicatrizes em um rosto de uma mulher idosa demonstram bem esses sentimentos por não saber como nem onde estava seu filho após meio século. Até a cegueira parcial real da protagonista serve como elemento para “caricaturizar” ainda mais a angústia dessa mulher que confiou cegamente na igreja católica, e talvez por isso, teve uma história de vida tão trágica em que só lhe restava perdoar o imperdoavél. Não se trata definitivamente de um filme com um final feliz, porém é importante ser visto por se tratar de um fato real praticamente esquecido ao longo dos anos. 
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     À Procura de Eric, de Ken Loach, Espanha, França , Reino Unido , Bélgica , Itália, 2009.Não é difícil assistir em telejornais esportivos fãs super fanáticos, desculpem a redundância. Pessoas que dariam suas vidas por um momento com seus ídolos, que fariam qualquer loucura para uma foto ou um autógrafo. O filme em questão mostra esse lado, ou seja, do fã para com o ídolo. Todavia nosso personagem central vai mais além que um simples autógrafo. 

  Trata-se de um típico carteiro londrino que vê sua vida trucidada pelos erros que cometeu no passado e no meio da caótica vida que tinha com seus demônios interiores surge para ajudá-lo seu ídolo: um jogador francês de temperamento forte do seu time, O Eric Cantona do glorioso Manchester United. A aparição de Cantona se dava quando o carteiro voltava do trabalho e acendia um baseado para relaxar. Depois de uns três ou quatro “pegas” o cidadão começa a conversar com o pôster do jogador que tinha em seu quarto. Em seguida Cantona surge em carne e osso, e por isso é o ator coadjuvante do filme, e começa a dar conselhos para seu desesperado fã. 

  O enredo é muito bem bolado, o jogador aparece e desaparece, mas em nenhum momento temos a impressão que seja um fantasma ou algo do tipo sombrio. No máximo pode parecer como uma alma boa que dava conselhos, conselhos estes engraçadíssimos por tentar resolver os problemas do seu fã que acabava em se meter em mais problemas ainda. 

   Como todo bom londrino que se preze nosso carteiro frequentava semanalmente um pub para ver os jogos do Manchester e seus amigos. A vida do cara era pacata até o jogador-fantasma aparecer em suas alucinações com a erva. Depois da maconha ou de Cantona seus filhos tiveram problemas com traficantes e como bom pai, ele interveio. O problema era que os caras eram barras-pesadas e o carteiro , assim como seus dois filhos adotivos, acabou por ficar nas mãos dele. 

   Eis que surge um plano infalível sugerido por Cantona para acabar com os bandidos ( não contarei para não estragar o final do filme ). Plano esse que é cena mais engraçada do filme. O que posso adiantar é que trata-se de um filme na medida certa em ironias e sarcasmos para com atitudes de endeusamento que temos com nossos ídolos, afinal são pessoas de carne e osso como qualquer outra. Em tempos de ressaca de carnaval o filme é uma ótima pedida por ser inteligente e divertissímo. 
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    Robocop, de José Padilha, EUA, 2014. Fazer remakes ou obras literárias de sucesso no cinema às vezes é uma tarefa um tanto quanto arriscada, pois já existe um parâmetro de julgamento para apreciar ou depreciar a nova produção. 

   Neste novo filme do diretor dos sucessos nacionais: Tropas de elite I e II, Padilha não se sai muito bem, de modo que o filme está sendo apelidado pela critica especializada como: A tropa de uma lata/homem só. O início do filme nos dá certa esperança de que este seja bom com robôs fazendo patrulha em Teerã, capital do Afeganistão em pleno ano 2028, caçando terroristas em uma cobertura jornalista.

Mas as esperanças de um filme bom param de imediato nos cincos primeiros minutos do filme. Me arrisco a escrever de que quem viu o primeiro filme dos anos 1980, de cunho bem mais anárquico, não terá paciência para ver esse remake até o final e se conseguir sairá do cinema no mínimo aborrecido pela perda de tempo e principalmente pelo estupro que o Padilha fez com um clássico policial de nossa adolescência.

   O remake não consegue nem se prestar a um pensamento de que podemos usar as máquinas e estas por sua vez nos usarmos em um jogo de ioiô. Tampouco o filme nos inflama a transformar, nós, civis em justiceiros, mas sim em espectadores em que uma máquina pode descobrir tudo, como corrupção no poder e na polícia, porém fazer também vistas grossas. 

   O que vemos no filme é somente um robô querendo se vingar dos seus assassinos através de lembranças pelo meio cérebro que lhe restou. Uma pura vingança pessoal e nada mais. Não a toa que o filme está mais conhecido como: A tropa de um homem só, do que propriamente seu título: Robocop. Fazer filmes no Brasil é uma coisa completamente diferente dos EUA, e parece que o Padilha não entendeu isso