Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: QUATRO BONS FILMES PARA SEU FINAL DE SEMANA

Ladrões de Bicicleta é um clássico do cinema
20/01/2012 às 20:01
Foto: DIV
Minhas tardes com Margueritte, França, com Gérard Depardieu
Minhas tardes com Margueritte, dirigido e roteirizado pelo Jean Becker França 2011, conta a estória de um pedreiro de bom coração e uma literária idosa que tem seus últimos dias de visão cansada devido a uma catarata. O legal desse filme é que a Margarete, que é a idosa que costuma dar comida a pombos em uma praça e assim conhece o pedreiro, interpretado por Gérard Depardieu, começa através de uma amizade pura e sem interesses a ensinar ao pedreiro a ler e tomar o gosto pela literatura.

Sem dúvidas um filme belíssimo por sua simplicidade e por abordar temas importantes a qualquer pessoa, que são: amizade, e através da literatura a uma evolução pessoal. Desse encontro saí uma amizade comovedora que faz lembrarmos que amizade é a melhor coisa do mundo.

O garoto da bicicleta, de Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, França 2011, é um drama denso que envolve valores como: orfandade, adolescência, identidade e carência humana. Com um baita roteiro em mãos, seu diretor faz uma película longa mais envolvedora do inicio ao fim, com um garoto que não cansa em correr em sua bicicleta atrás do seu pai e das suas perguntas existenciais. Selecionado ao festival de Cannes de 2011, o garoto da bicicleta mexe nas entranhas da sensibilidade humana e ao mesmo tempo afirma que por mais pessoas que estejam ou cuidando ou perto de você, a sua pessoa, no seu intimo de pensamentos estará sempre sozinha.

O filme passa uma mensagem meio "Schoppenhagiana", nesse sentido, o que não está de todo errado, pois quando cortam aquele cordão do nosso umbigo quando nascemos, somos nós conhecendo e vivendo o mundo e as pessoas, com algumas ajudas, claro, mas essencialmente sozinhos. Um baita filme, e um garoto pra lá de talentoso fazendo seu protagonista (Thomas Doret com onze anos de idade).

Ladrões de bicicleta de 1948, do Vittorio De Sicca - Itália é um clássico sem dúvidas e um dos melhores e mais emocionantes filmes que já vi. Não sei se é o meu lado italiano que escreve agora, mas o filme é um primor de aula de como viver: como partilhar as coisas e de como correr literalmente atrás das coisas que quer fazer, e isso tudo em plena segunda guerra mundial. Um presente pra quem estuda ou puramente admira a sétima arte.

Meddianeras, a era do amor virtual - 2011, Argentina, Espanha, Alemanha, mostra de forma muita bem argentina ou bem feita, que é a mesma coisa em minha modesta opinião, de como estão às relações humanas atualmente com a internet. Pra se ter uma idéia o protagonista da película na ficção passa mais de dois meses sem sair de casa para nada, somente pedindo coisas e fazendo compras pela internet, isso inclui: comidas, liquidos e até sexo, virtual claro, e até serviços de limpeza de residências como pagamentos de contas.

Apesar desse cárcere privado voluntário o filme tem uma leveza e um roteiro tão bem redondinhos e enquachadinhos que fica impossível em não o classificar com ótimo. Apesar dessa solidão que a internet nos traz, a película mostra a generosidade das pessoas pela curiosidade de conhecer outros seres da sua espécie, a humana. Uma necessidade que a internet transmite em não ficarmos sozinhos, e de certo modo e perante a essa situação, as pessoas se abrem as outras de uma maneira fascinante e envolvedora, mostrando que realmente apesar das tecnologias que tenhamos nos dias de hoje, o homem não nasceu definitivamente para viver sozinho. Uma constatação muito bem abordada pela excelente película rodada na bela Buenos Aires.