Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: A PELE QUE HABITO É UMA DAS RECOMENDAÇÕES P/ FIM DE SEMANA

Três bons filmes para você assistir
14/01/2012 às 07:06
O ultimo dançarino de Mao do Bruce Beresford- Áustria 2009 é antes de artistico, um filme politico. Conta a estória de um chinezinho que mora num interior daquele país cujo sonho é sair de lá para a
capital Pequim. Porém seus dotes artisiticos o levaram muito mais do que a capital comunista chinesa, e sim para o país centro do capitalismo, os Estados Unidos da América.

Pense numa transformação de uma pessoa que se criou em um interior distante chinês e de repente, graças a seu talento, se vê morando e convivendo com norte-americanos , onde para eles quase tudo é descartável, inclusive em suas relações pessoais, ao menos na visão chinesa comunista do protagonista. O choque é enorme para o talentoso bailarino no inicio da era comunista chinesa, e ele como representante no país do inimigo politico.

Trata-se de um filme biográfico, ou seja, essa estória de vera aconteceu, porém vem aquela velha máxima que volta e meia sempre coloco em questão: Será que toda biografria se transforma em um bom filme? Nesse caso, infelizmente não, apesar de abordar as distancias culturais e politicas entre o capitalismo e o comunismo ou a China e os Estados Unidos, que são as duas potências econômicas mundiais atualmente.

A película é longa demais e por muitas vezes sem ritmo, monótona com a preocupação em abordar divergências sociais entre o seu protagonista e os outros personagens do filme, esquecendo que além disso tinha-se que "bolar" um roteiro mais articulado e ágil, coisa que faltou, e muito, escreva-se de
passagem.

A pele que habito
- Espanha 2011 é mais uma obra-prima do Almodóvar, Mais um filme com sua marca registrada com um estilo e uma elegância que foge do padrão comum, tornando um dos
principais cineastas dos nossos tempos. Com uma capacidade criacional enorme, apesar de sempre abordar a sua bandeira pessoal do homossexualismo, e neste filme foi um pouco mais além, agora abordando o bissexual ismo fazendo uma película de duas horas que te cativa do inicio ao fim, pois cada fala dos personagens são pistas para a cena seguinte e para entender a genialidade do
roteiro do filme.

O Almodóvar é um tipo de cineasta que sempre vem para dar um tapa na cara bem dado na cara dos moralistas de plantão, sempre com estórias que apesar de se ter sempre de uma forma ou outra a homossexualidade debatida, sempre se renova colocando outros "tabus" em questão, no caso deste belo filme vêm à discussão da livre troca de sexo e a questão da jovialidade humana: fica a
pergunta até que ponto a nossa ciência anda progredindo nesse sentido, afinal ninguém quer morrer, e se a ciência for capaz, o que ainda não é, escreva-se de passagem, para nos dar uma forçinha a gente possuir uma pele mais macia e saudável por mais tempo, por exemplo, agradeceríamos.

O filme envolve o tema das células tronco também e mostra como ainda a nossa sociedade é atrasada em todos esses sentidos: desde a opção de mudança de sexo, como o assunto das células tronco (que cá pra nós, a nossa querida igreja católica freia burra e bruscamente), e o desenvolvimento de novas pesquisas para se viver mais e melhor. Resumiria o filme com uma pergunta que me fiz quando saí do cinema abarrotado: A vida vai ser sempre isso daí, vamos ser menos hipócritas e melhorar um pouco isso aqui que chamamos de mundo, e em evolução, pois o medo do novo paralisa.

O Palhaço -
Brasil 2011 é sem dúvidas um belo filme: sensível, tocante, bem feito, um dos
melhores nacionais de 2011, senão o melhor. Porem é com esse parâmetro de comparação que observo que o cinema brasileiro anda bem atrás do cinema argentino por exemplo. Em 2011, de argentinos melhores que o filme do Selton Mello, vi o Medianerras, um conto chinês e pelos menos mais uns três melhores que o considerado por mim como melhor filme nacional do ano passado. Isso não é uma crítica aos filmes produzidos no país, mas sim a Ancine, que coloca muita merda nas telas por terem atores "de peso" e deixa de lado melhores filmes com melhores roteiros para a clandestinidade. Por essa questão política que o cinema nacional ainda engatinha em relação aos países que fazem filmes bons.

Na Argentina tem-se uma política para o audiovisual interessante, onde quando o filme não se tem boa bilheteria, ele sai dos cinemas, quando se tem boas bilheterias ele fica. Mas isso aqui no Brasil não funcionaria, acho eu, pois passa de uma questão de cultura e educação. Os nossos hermanos portenhos podem ser marrentos e até chatos com sua empáfia, mas em Buenos Aires em cada esquina
tem um sebo, e a média de livro per capita é bem maior que nós. Mas o Palhaço é muito bom, vale ser visto, foge o padrão dos recordes nacionais de bilheteria como Tropas de Elite I e II.