Colunistas / Cinema
Diogo Berni

PRA COMEÇAR O ANO, SUGESTÕES DE TRÊS BONS FILMES

Três filmes de produção francesa
01/01/2012 às 08:03
 

Foto: DIV
As Chaves de Sarah, de Gilles Paquet-Benner, um francês de excelente qualidade
Adeus, primeiro amor, dirigido e roteirizado por Mia Hansen-Love 2011, trata-se de uma atípica película francesa, digo atípica, pois de alguma forma foge dos tradicionais clichês filmes franceses, apesar de ser todo rodado em Paris, o que embeleza ainda mais o que foi visto.

O enredo é de uma menina sonhadora que coloca o amor antes de tudo, e por isso mesmo melancólica, e de um rapaz mais aventureiro, a fim de desbravar o mundo.

O filme é bom porque toca nos melindres dos sentimentos mais fortes humanos: a capacidade de amar e ser amado ou até a possibilidade de colocar este como plano de primeira categoria ou importância. Podemos classificar, se é que podemos fazer isso, como um filme francês evoluído, pois não perde a essência das boas películas produzidas por aquele país e vai um pouco mais além, se desnudando dos seus valores morais colocando o amor como principal, um filme poético, e da frança neste gênero com tanto desprendimento foi o primeiro que vi assim.

Essa parada da condição de carência humana foi abordada também, até que ponto somos nós ou somos os outros, até onde vai seu poder de dar-se ao amor ou não? E não duvide: este só chega até você uma vez na vida, na minha ainda não chegou e na sua?

As chaves de Sarah (2011) - fenomenal muito bonito é sem dúvida o filme francês mais "cabeça" da semana, do diretor Gilles Paquet- Brenner e que de fato, me levou as lágrimas com seu roteiro.

Tudo começa de uma mera curiosidade jornalística por parte da sua belíssima quarentona protagonista (Julia Jarmond), a fim de desvendar o desaparecimento na década de 1940 de oito mil judeus.

A estória se desenrola mesmo quando essa jornalista aluga um apartamento que tinha sido morado por uma família vitima judia da época. Pesquisando ali e acolá, ela chega a uma menina que morava lá: a tal da Sarah, então ela corre mundo atrás dela descobrindo sua estória de vida que me emocionou e certamente emocionará você também, se tiver a mínima sensibilidade de admirar as coisas que de fato tem de serem admiradas nessa vida.

Uma película tocante mexe com nossas entranhas de alma quase duas horas de puro êxtase aos amantes da sétima arte, um orgasmo cinematográfico.

Os nomes do amor de Michel Leclerc 2011- filme francês com narrativas e linhagens temporais interessantes, o inteligente e engraçado longa francês cativa.

Conta duas estórias entrecruzadas: a de uma mulher chamada Bahia, fruto do casamento de um muçulmano argelino artista e uma extremo-esquerdista hippie francesa, e de um veterinário não muito sortudo com o sexo oposto com pai e mãe obsecados por matemática e extremamente direitistas e racionais, guardando os segredos ocultos da família principalmente e até do seu filho, o tal veterinário, com uma vida bastante pacata, diga-se de passagem.

Os dois extremos: Bahia e o veterinário tinham tudo para não darem certo, e de fato a maior parte da película não deram mesmo. A Bahia com sua teoria de transformar a cabeça de homens de direita na cama e o tal veterinário que era obcecado por vírus oriundos de animais passaram encontros e desencontros com a primeira querendo mudar o mundo e o segundo tentando entender o que ela queria de fato. Película bastante instigante, mais uma aula do cinema francês.