segunda-feira, 06 de abril de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

DENTE CANINO E OUTROS BONS FILMES PARA SE ASSISTIR

DIOGO COMENTA SEM PAPAS NA LÍNGUA
25/09/2011 às 07:03

Foto: DIV
Dente Canino é um excelente filme
Dente Canino, do diretor grego Yorgos Lanthimos 2011, és uma belíssima película, digna de dizer: "acabei de ver verdadeiramente uma sétima arte". Uma pedrada no estômago, abrange valores de família, em uma por sinal, completamente crazy.

O filme levanta a pergunta: "Até que ponto e até quando vale ser ludibriado pelos pais?". Se você Já leu ou viu alguma do Nélson Rodrigues, multiplique o que leu e viu juntos por cem. É exatamente  isso que verá quando assistir ao filme.

Pra quem gosta de um bom filme; imperdível. Foi selecionado para o festival de Cannes deste ano, dessa vez eles acertaram no filme, coisa que não se acontecesse todos os anos.

Não que os filmes selecionados pra Cannes sejam ruins, pelo contrário em comparação a outros festivais, mas se estes  festivais tentarem ao mínimo que for saírem  um pouco dos filmes mais bem assistidos ou com o diretor x ou y, iriam achar coisas bem mais interessantes e que poderiam realmente passar algo.

Veneza e Cannes são os melhores festivais de cinema em minha opinião, mas mesmo nestes ainda tem muito filme médio selecionado, parabéns a Cannes que dessa vez escolheu bem, recomendadissímo.

Podecrer (2007) é uma despretensiosa comédia carioca dos anos 80 de uma turma que está prestes a prestar vestibular. Apesar de não se levar muito a sério a película, ela se torna no desenrolar agradável, pois de uma forma leve o roteiro nos leva a época adolescente onde as descobertas eram de fato surpreendentes e sempre  com bastante testosterona a queimar. Se não estiver procurando algo sério: podecrer que vale. Frase marcante do filme: "Cabaços vão rolar".

Recife frio, um curta metragem do pernambucano Cleber Mendonça Filho 2011 és  muy criativo. Ganhador do festival de curtas eleito pelo júri no canal Brasil; conta a estória de um atípico evento climático na cidade chamada Veneza brasileira, Recife: onde esta passava por um rigoroso frio de seis até doze graus Celsius todos os dias do ano e só lá.
 
A mudança dos comportamentos das pessoas, onde agora o quartinho da empregada é melhor que a suíte do quarto principal de um prédio da principal avenida recifense, ou a pousada que vendia o sol como seu produto, agora tem de explicar aos seus turistas o frio e o migramento de pingüins na costa litorânea. Enfim um curta muito legal que nos faz pensar em como um evento climático ou qualquer que seja a mudança pode mudar total e drasticamente a vida de uma sociedade, no caso a recifense.
 
Gostei também do curta pela sacada de seu roteirista de abordar o tema das baixas temperaturas em um lugar tropical. Filmes se fazem antes de tudo com boas idéias, assim como propaganda, discursos políticos ou campanhas políticas, poemas, etc. Boas idéias são sempre bem-vindas em quaisquer   áreas.

O banheiro do papa, de César Charlone 2007, foi um dos selecionáveis do festival de Cannes deste ano. A película Uruguaia afirma minha tese que defendo já a algum tempo, de que os melhores roteiros saem de estórias cotidianas que o leitor pode ter vivido, por exemplo sobre a estória do filme, pois trata-se de um "zumzuê" que acontece em uma pequena cidade de fronteira uruguaia com o Brasil, na expectativa da visita do papa.
 
E um desses moradores tem a brilhante idéia de construir um banheiro a alugar aos milhares de visitantes que estariam naquela cidade. Sem querer contar o fim do filme e já contando, nada disso aconteceu, pois quase nenhuma gente foi ver o papado real, por isso o nome o banheiro do papa. O filme comentado assim parece ruim, mas não é, embora por vezes monótono, mostrou-se a cultura de um país desconhecido e pequeno, e como valente e solidário é aquele povo. Banheiro e Papa, ou merda e igreja católica são meras coincidência na boa película.  
 
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