segunda-feira, 06 de abril de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

TRÊS FILMES PARA CURTIR O FINAL DE SEMANA E PENSAR

É pra pensar e analisar
19/08/2011 às 09:00
Foto: DIV
Partes Usadas, de Aáron Fernández Lesus, instigante
  Fica chato em comentar um filme onde o diretor se encontra na UTI, com câncer do esôfago, que é o caso do Marcos Paulo, ator global e agora se envereda como diretor de cinema no seu primeiro longa-metragem: Assalto ao Banco Central.

  Mas como tenho papel de ser crítico de cinema e por isso me disponibilizaram uma coluna para tal, tenho de dar nota 1,5 a película. É aquela velha estória de que, nem tudo que tem "cara" que daria certo na ficção, as vezes não dá.

  Se pegarmos a notícia real do assalto do banco central em Fortaleza, com a idéia dos caras cavando um túnel e embolsando mais de 240 milhões de reais, achamos demais criativos. Não é que o filme seja ruim, até é bem feito. Porém faltam talvez elementos fictícios que quase todo filme que quer imitar uma realidade faz.

  Sem isso o filme se torna previsível demais, chato.

  Uma prova que novela é uma coisa, seriado de TV e outra e cinema é outro degrau acima, não dá pra empacotar tudo em um saco só.
                                                   **
  Partes Usadas, do Aarón Fernández Lesur, 2007, foi uma boa surpresa. O feitiço virou contra o feiticeiro, onde todos são vitimas da miséria e de seus sonhos. Isso  pelo fato de o roteiro abordar uma escravanização de um maior para com um menor de idade.

  Resumidamente conta a estória de Ivan, um mexicaninho de 14 anos que abandona sua labuta de lavador de carros para passar a ser roubador de peças automotivas com o sonho de, 9 entre 10 mexicanos pobres, que querem ter grana pra pagar a um coiote e levá-los aos USA e mandaram dinheiro para suas famílias a posteriori.

  Nesse aspecto peculiar da grana, o protagonista adolescente se parece com o sertanejo que vai para São Paulo e Rio de Janeiro afim de mandar algum para os parentes duros, até em suas peles castigadas pelo sol e sofrimento.

  Filme que vale ser assistido, e porque não, digamos que poderíamos o classificar como a Cidade de Deus mexicana. Lealdade, amizade, ambição foram temas preponderantes dessa película mexicana com atuações simples, porém boas por não complicarem mesmo, na ingenuidade das suas idades dos seus atores adolescentes, fez com que o "ar" da produção parecesse com naturalidade e leveza  a maior parte do tempo.
                                                   **

  Os Limites do Controle do Jim Jarmusch (guarde o nome desse diretor quando quiser ver algo diferente pra valer) foi o filme mais "sem pé nem cabeça"que assisti.

  Do começo ao fim a película não aborda nada claro em nenhum momento, com certeza o filme mais subjetivo que vi, superando até o Homem que não dormia, do Edgard Navarro, onde este tem também alto grau de subjetividade.

  Supostamente um criminoso vai a uma jornada para mais um crime, mas ao decorrer dos fatos, ou das pessoas que ele espera ou até ainda dos museus que visita e diálogos com terceiros que esse tal indivíduo misterioso tem, ele se revolta contra a sua missão, que não é muito clara na película, e como o inicio e o meio, o fim acaba-se por subjetividade absoluta, e se estiver de mau humor, pode-se dizer até de maneira absurda.

  Filme que instiga, porém se encaixa no gênero de filme pouco comunicável, típico filme que só o diretor curte em assisti-lo.