segunda-feira, 06 de abril de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O HOMEM QUE NÃO DORMIA E A LIBERDADE COMO PLENITUDE

Um filme de Edgar Navarro
31/07/2011 às 12:00
Foto: DIV
Filme "O Homem que não dormia" é do cineasta Edgard Navarro, 2011
Filme nacional surreal e bom ainda existe, acreditem: refiro-me ao O homem que não dormia, de Edgard Navarro, 2011, fechando o  VII seminário internacional de cinema no teatro Castro Alves em Salvador.

Com uma belíssima fotografia, rodado na Chapada Diamantina (Igatu, a Machu-Pichu baiana), Navarro consegue "ecoar" todos as suas angustias existenciais com maestria e magia desde o  seu primeiro longa: O Superoutro, fechando assim um ciclo que demorou mais de duas décadas.

O que vi desse desfecho foi a busca existencial alcançada, tornando assim a sua liberdade como plenitude suprema e agora, de uma vez por todas, o Superoutro esquizofrênico se "curou" e transcendeu, e sim: conseguiu o seu desejado vôo, como um super-homem.

Como o diretor disse em discurso antes de rodar a sua criação: "Pra fazer este filme, tive que ler bastante Freud, Young e outros mais com muita maconha, claro", fica sacramentada a era antes e pós Navarro do cinema baiano, onde quem ainda duvidava de seu talento e ousadia, agora perdeu essa. Uma película demasiada densa, de modo, que tenho como iniciante na sétima arte, aplaudir as ousadas peripécias desse magistral cineasta.

Comentando sobre o seminário, assisti a peliculas extraordinárias. Muita coisa boa digital sendo produzida na Espanha, curtas genias alemães, e alguns brasileiros com o brilho. Uma semana me lambuzando da sétima arte, com palestras que iam de política a artes todas as tardes, das quais já tenho saudades, agora sim, posso dizer: 2011 valeu a pena!