segunda-feira, 16 de julho de 2018
Cultura

EU, TONYA filme que foge do modelo padrão de Hollywood, DIOGO BERNI


Um filme que foge da caixinha de Hollywood, e que somente por esta coragem de mudar, deveria ter feito mais bilheteria e barulho que fez
Diogo Berni , Salvador | 14/04/2018 às 09:32
Eu Tonya
Foto:
Eu, Tonya; dirigido por Craig Gillespie, EUA, 2018. Quem vive na, ou com a violência é consequentemente acometido a agir violentamente. Esta frase denota a síntese da protagonista: uma ex -atleta olímpica, que no filme, narra ou documenta sua própria trajetória, esta ao ponto de ser em determinado momento como a figura mais falada, depois de Bill Clinton, nos EUA dos anos 1990. A cultura daquele país cultua peculiaridades, tais como: alguém tem de ser amado ou odiado, caso contrário a monotonia imperaria nos demais habitantes. 

O sonho americano requer de cobaias a fim de os outros rirem e seguirem a sua corrida pessoal para com sua evolução material. Entretanto voltemos ao filme e, sem medo de sermos felizes cravamos uma característica bem peculiar do filme, que é de a obra fílmica em questão ser uma obra documentada pelas próprias pessoas envolvidas com o caso. 

Peculiar porque mistura-se passado e presente, assim como atores e personagens reais. A edição e a montagem do filme são extraordinariamente bem executadas, encaixando, com primor, os fatos reais narrados com as cenas de ficção desenvolvidas, e por vezes aumentadas. 

Nunca tinha visto alguém atuar por tanto pouco tempo e ainda assim ganhar um Oscar. Isso acontece com a atriz coadjuvante da trama biográfica: Allison Janney que, com praticamente metade de participação na duração do filme, simplesmente arrebenta fazendo o papel de uma mãe que ninguém mereceria ter, porém como sabemos, existem muitas como ela ou até pior. 

A atuação da atriz é um estrondo e os poucos minutos que vemos contracenar nos deixa com até raiva, tamanha é sua perversidade ao ponto de jogar uma faca , e cortar, o braço da filha em uma das inúmeras discussões entre elas. Por se tratar de uma estória verídica, o filme, que concorreu a algumas categorias no Oscar, e só levou uma, deveria ter ganhado na montagem, no mínimo.

 Um filme que foge da caixinha de Hollywood, e que somente por esta coragem de mudar, deveria ter feito mais bilheteria e barulho que fez: vale a conferida.