segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Cultura

Frede Abreu lança "Nagé, o homem que lutou capoeira até morrer", 14/12

O pesquisador Frede Abreu faleceu em 2013 e é considerado um dos maiores estudiosos da capoeira na Bahia
ZM , Salvador | 06/12/2017 às 10:55
Nagé (de costas) jogando capoeira
Foto:
Mesmo tendo sido um dos negros mais valentes da história da Bahia, Nagé teve sua história pouco contada e quase não figurou nas pesquisas, homenagens e registros históricos dos grandes capoeiristas baianos. Essa lacuna pode começar a ser preenchida a partir do próximo 14 de dezembro, quando, 18 horas, será lançado no Forte da Capoeira, no Santo Antônio, o livro "Nagé, o homem lutou capoeira até morrer", um dos últimos livros escritos pelo pesquisador Frede Abreu, que morreu em 2013 e é considerado um dos grandes estudiosos da capoeira no mundo.

Muitos valentões que ajudaram a construir e moldar o legado da arte-luta dos negros no Brasil foram esquecidos, apagados da memória da capoeira por questões políticas e sociais. Nagé foi um deles, apesar de eternizado pelas lentes do cineasta Alexandre Robatto e ressaltado também por intelectuais como o escritor Jorge Amado ("Nagé foi um assombro de valentia"), e pelo crítico de arte Wilson da Rocha ("Nagé foi um herói popular"), permanece invisível.

"Nagé, de propósito ou sem querer, entrou no rol dos malditos da capoeira. Logo desta arte que, pelo menos no passado, foi celeiro de arruaceiros", escreveu Frede Abreu, acrescentando: "Não se pode apagar da memória da capoeira a presença dessa brava gente desordeira. Uma história de resistência dos oprimidos." O autor ainda nos alerta: “Pelo que sei, não há nenhuma pesquisa ou “missão cultural” em andamento, nem ações governamentais na área da cultura, em perspectiva, para identificar esses personagens importantíssimos para a capoeira.

Com a publicação desse novo livro, Frede Abreu - que dedicou grande parte da vida aos estudos e difusão das manifestações populares, divulgou antigos mestres e lutas similares à capoeira como a punga, o batuque, o tambor de crioula, a bassula e o mouringue - nos convida mais uma vez a conhecer e respeitar a memória de antepassados que muito contribuíram para eternizar o legado da capoeira. O livro é ilustrado com fotografias inéditas, pesquisas e pertinentes discussões sobre a capoeira de rua e os mestres de outrora. 

Na solenidade de lançamento será realizada mesa de debate com pesquisadores e mestres de capoeira, onde destacamos a presença da Mestra Janja Araújo e dos historiadores  Antônio Liberac e Pedro Abib, roda de capoeira com expoentes da capoeira de rua, comandada pelo o Mestre Lua Rasta, discípulo de Canjiquinha, e uma roda de samba rural com o grupo Angoleiros do Sertão, do Mestre Claudio Costa. O livro foi selecionado pelo edital setorial  de culturas identitárias da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult - BA) e  cuidadosamente editado pela Barabô Editora, sob a supervisão de Elza Abreu, filha e curadora do acervo deixado pelo pesquisador Frede Abreu.
 
 
Serviço:
 
Lançamento do Nagé o homem que lutou capoeira até morrer do historiador Frede Abreu.
Local: Forte do Santo Antônio (bairro Santo Antônio além do Carmo)
Data: 14 de dezembro de 2017, às 18 horas
Programação:
18h – Lançamento com exposição fotográfica e debate com pesquisadores e mestres de capoeira;
19h – Roda de capoeira com o Mestre Lua Rasta;
20h – Roda de samba com os Angoleiros do Sertão e o Mestre Cláudio Costa.