quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Cultura

REAL, o plano por trás da história, chega ao cinema, por DIOGO BERNI

A produção nunca se preocupa em explicar os pormenores do plano e ninguém sairá do cinema podendo dar aulas a respeito.
DIOGO BERNI , Salvador | 11/08/2017 às 23:29
Real - o plano por trás da história
Foto:
   Real – O Plano Por Trás da História, dirigido por Rodrigo Bittencourt, Brasil, 2017. 

   Quando ligamos o plano real, associamos rapidamente, à FHC, ou seja, Fernando Henrique Cardoso. Todavia, e isto, segundo o filme, FHC não fora o único, ou até mesmo o principal pai do melhor plano econômico de todos os tempos do Brasil. Nomes como: Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central em 1993, André Lara Resende e Gustavo Franco também reivindicam serem o pai legítimo da “criança” ou moeda. 

   Este último citado, Gustavo Franco, por sinal faz o protagonista da trama, interpretado por Emílio Orciollo Neto, trazendo-nos uma espécie, inicialmente somente, de mistura de Playmobil carrancudo socialista que dispensa até a própria mulher contrastando como um raivoso e ávido defensor contra o PT, Lula e tudo que eles podiam representar após a sua derrota para o Collor. 

   Super estranho é o Lula não ter aparecido em nenhum momento do filme, fato este que deverá armazenar de críticas negativas os petistas de plantão, porém é necessário lembrar que muitos atores que são ultra engajados no movimento da esquerda nacional, fizeram parte do elenco do filme, como por exemplo, o ator que interpreta o ministro do BC, Pérsio Arida, através do curitibano esquerdista radical, e também global, Guilherme Weber. 

   O filme desenrola-se quando Itamar Franco, ridicularizante interpretado pelo humorista Benvindo Cerqueira, e o ridículo está no fato de um presidente ser interpretado por um humorista e não pela atuação dele propriamente. 

   Todavia Itamar Franco, com seu enorme topete, quase que chargeado, torna-se o presidente “ ponto de partida”, ou o primeiro, para a trama política , onde vemos o plano real dar seus primeiros passos de criação, e isso é importante salientar mais uma vez, segundo o diretor da obra. 

   Exatamente em julho de 1993 o plano econômico inicialmente chamado por URV, unidade real de valor, é lançado no país para estancar a inflação e competir de igual pra igual com o valor do dólar, fato este surreal para a época e situação de um país que tinha ainda pouco tempo de democracia. 

  Com Gustavo Franco já no comando do Banco Central, e com o aval do já então presidente FHC em sua primeira gestão, Gustavo Franco bota o plano real nas ruas e fala, em alto e bom som, ir para o inferno aquelas maquinetas de supermercado que ficavam, de minuto em minuto,  a subir os preços das mercadorias, essas principalmente as mais básicas e nada de subir o salário mínimo. 

   O filme não é nem de longe uma aula de história, mas mostra a força do plano Real, este que deu suporte aos planos sociais que o Brasil implantou com FHC e ampliou com Lula.