CONSCIÊNCIA NEGRA: democracia racial ainda é sonho

Marcell Moraes
20/11/2012 às 07:41
20 de novembro é a data escolhida de forma consciente pelo povo negro para celebrar o Dia da Consciência Negra, esse dia rende homenagens a Zumbi dos Palmares, morto em uma emboscada no ano de 1695. 20 de novembro, ou melhor, todo o mês de novembro para fazer uma boa critica aos 13 de Maio, dia oficial da Abolição da Escravatura em 1888, assinada pela Princesa Isabel.

 Passados mais de 124 anos até os nossos dias a cidadania do povo negro, a democracia racial ainda é um sonho. Tomamos como exemplo, a cidade de Salvador, maior metrópole negra da disporá africana no mundo.

Nesse passado histórico se por um lado o homem negro deixou de ser propriedade de seu dono, o seu senhor, por outro após Abolição o povo negro continuou sendo usado como mão de obra barata para os senhores. Mesmo que pese a luta por igualdade no âmbito do trabalho os negros ainda recebem salários inferiores que os não negros em cidades como Rio e São Paulo e na Bahia, em Salvador a situação ainda muito pior. 

Por falta de acesso a educação formal, técnica e profissionalizante os negros em Salvador vem ocupando profissões em que a exigência de formação escolar é menor, ao exemplo, da Construção Civil, empregada domésticos e comércio informal. Associem-se a isso tudo a falta de política pública de moradia e acesso a saúde dessas populações que vivem nas regiões suburbanas de nossa cidade. A cidade deve ter um olhar atencioso especial para o povo negro, que em síntese é a alegria da cidade.
Como ser humano sensível as necessidades de nosso povo naquilo mais valioso como acesso a educação, saúde, qualidade de vida e preservação do Meio Ambiente, e especialmente como vereador eleito pelo voto popular quero me associar aos negros e negras de nossa cidade nesse dia 20 de novembro. Momento importante que para além da lembrança viva da morte do grande líder Zumbi dos Palmares é um momento de instigar o povo negro de nossa cidade a luta pela efetiva democracia racial, econômica, educacional e política.

Como vereador eu coloco o meu mandato popular a disposição da população negra para que seja instrumento de criação de climas e ambientes favoráveis para a consolidação de da verdadeira democracia racial em Salvador e em toda a Bahia.

Quero promover a reflexão sobre as relações sociais excludentes e discriminatórias ainda presente de forma nítida na sociedade baiana. Salve 20 de novembro, salve as religiões de matriz-africana, salve Zumbi, Luiza Mahin líder da Revolta dos Malês. Que cada negro e negra faça de seu dia a dia uma revolução assim como eles fizeram.